Coluna do Fábio Zambeli

Eleições presidenciais

Candidatura de Bolsonaro à reeleição ganha fôlego com melhora em aprovação popular

Mas escândalo das emendas no Ministério da Educação e a inflação podem prejudicar essa tendência de recuperação

candidatura de Bolsonaro
Presidente da República Jair Bolsonaro | Crédito: Alan Santos/PR/Flickr

A semana termina com o governo comemorando as mais recentes pesquisas e o avanço do desenho político da candidatura de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição. Com a melhora do presidente nas intenções de voto e na aprovação popular e o término da janela de transferências partidárias, o balanço para o Planalto é positivo.

Partidos aliados são os que mais crescem no vaivém das filiações. O PL, partido do presidente, quase dobra de tamanho com as mudanças. E para completar o quadro, uma articulação pesada do centrão garantiu o Republicanos, partido ligado à Igreja Universal e à TV Record, segunda emissora de maior audiência no país, na chapa do presidente.

O general Walter Braga Netto, de saída do Ministério da Defesa, deve ser o vice na chapa, trazendo uma percepção de alinhamento das Forças Armadas a Bolsonaro. Mesmo que na prática isso não aconteça organicamente, na política, vale mais a imagem que o fato concreto.

 

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Em meio às notícias um pouco melhores para Bolsonaro, duas outras bastante negativas preocupam o governo: o escândalo das emendas no Ministério da Educação, que ameaça a permanência do ministro Milton Ribeiro no cargo e abala os evangélicos, uma base estratégica para a campanha. E a inflação, que chegou ao seu pior número de janeiro desde 2015, no governo Dilma Rousseff. Ainda que o Banco Central acredite em mudança de rota nos índices a partir de abril, é um ponto de preocupação aguda para o presidente, pois esses números podem prejudicar essa tendência de recuperação de Bolsonaro, ainda que o dólar, em queda livre, ajude a atenuar parte dessa percepção negativa.

No outro campo do espectro político, Lula teve uma vitória com a filiação de Geraldo Alckmin ao PSB para ser candidato a vice-presidente. O ex-governador de São Paulo adota o discurso de pacificação nacional, de unidade em torno da democracia. Os elogios feitos ao ex-rival e a obrigação de dar explicações ao seu eleitorado tradicional, que é mais conservador, mostram que a guinada não será simples do ponto de vista da narrativa eleitoral. Mas Lula aposta que, depois de amadurecida, a chapa possa reduzir as resistências ao PT sobretudo no Sudeste, onde Alckmin tem mais penetração.

As análises completas de Fabio Zambelli, analista-chefe do JOTA, sobre a semana para o governo estão disponíveis também no perfil do JOTA no Instagram (@jotaflash) às sexta-feiras.