Opinião & Análise

Justiça em série

Menina superpoderosa

No submundo do narcotráfico, Alice Braga é Teresa, uma garota que usa sua esperteza para sobreviver

QUEEN OF THE SOUTH -- "Piloto" Episode 101 -- Pictured: (l-r) Alice Braga as Teresa Mendoza, Jon Ecker as Guero -- (Photo by: Benedicte Desrus/USA Network)

Mais do que uma série sobre o narcotráfico, “A Rainha do Sul” (“Queen of the South”) pode ser considerada uma atração sobre mulheres. Após viver em uma posição de submissão em relação a seus companheiros, duas mulheres, Teresa e Camila, revelam suas forças sob circunstâncias distintas. A primeira busca, de início, apenas sua sobrevivência. A segunda persegue o poder. Ambas saem das sombras de seus amantes para conquistar seus próprios espaços. Os métodos que usam podem não ser os melhores, os mais justos e os mais corretos. No caso de uma delas, porém, os fins justificam os meios. Em um ambiente hostil, essa moça usa sua astúcia (e um pouco de charme, por que não?) para manter-se viva.

Depois de “Weeds” – atração que acompanhava a saga de uma dona de casa que, desesperada, se torna produtora e traficante de maconha –, mais uma anti-heroína surge em um universo geralmente dominado pelos homens. É a brasileira Alice Braga, que está perfeita na pele de Teresa Mendoza, a namorada foragida de um traficante supostamente morto em uma guerra entre cartéis. Linda, com seus cabelos ao vento, sua jaqueta de couro e seus jeans justíssimos, a moça rebola, mas o que vale aqui não é o seu gingado, e sim sua esperteza.

“A Rainha do Sul” começa com uma Alice Braga chique, caminhando em sua mansão, até que é atingida por um tiro na cabeça. Ela conta que nem sempre foi assim, rica e poderosa, mas sempre foi um alvo. O começo de sua história é duro e o público acompanha tudo desde o início, quando a cambista Teresa Mendoza conhece Guero, um traficante charmoso que trabalha para o chefão do tráfico Don Epifanio Vargas, o ator português Joaquim de Almeida.

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Don Epifanio quer ser governador de Sinaloa, no México. Para isso, precisa dar um tempo nos negócios e pede o apoio de sua mulher, Camila Vargas (Veronica Falcón). O problema é que Camila não quer abrir mão dos negócios e pretende assumir o comando do narcotráfico em Dallas, Texas, território de seu marido. Camila e Epifanio começam então uma batalha, de início, silenciosa. Camila, no entanto, prepara seu bote e uma guerra está prestes a estourar.

Nesse meio tempo, após o sumiço de Guero, Teresa é perseguida por Don Epifanio, pois esconde um livro que pode expor todos os negócios ilícitos do candidato a governador. Em sua fuga, a moça cai no território de Camila e é capturada. Em seu cárcere, Teresa começa a ganhar a confiança de Camila para preservar sua vida, enquanto pensa em como escapar do submundo do narcotráfico.

Apesar das adversidades, Teresa consegue jogar com Camila e ganha a confiança da chefona e, principalmente, de seu fiel escudeiro James (o ator britânico Peter Gadiot). Juntos, Teresa e James vivem aventuras neste universo do narcotráfico. É com ele que a moça aprende que é melhor matar do que morrer. Teresa tenta ser justa, mas com o passar do tempo, ela endurece. A vingança é um sentimento que endurece e o submundo em que está inserida não dá espaço para piedade. Teresa passa por muitas experiências ruins. Seu caminho não é nada fácil e, aos poucos, ela acaba corrompida pela promessa da riqueza e do poder.

A primeira temporada acompanha essa escalada de Teresa no cartel comandado por Camila. Em meio a tiroteios, fugas, provas de fidelidade, traições e perseguições, Teresa vai seguindo seu caminho, sem saber que foi vítima de uma traição ainda maior, revelada na última cena da primeira temporada.

A segunda temporada traz ainda mais ação com a guerra declarada entre marido e mulher. Camila e Epifanio não vivem mais em período de Guerra Fria. O conflito agora é notório. Teresa se aproxima ainda mais de Camila que, por sua vez, ainda não confia totalmente na moça. Claro que nem só de sangue, suor e lágrimas vive uma heroína de série de TV. Está aumentando o clima entre Teresa e James. Vamos concordar que ela é bem mais interessante que a tal da Kim, a ruiva namoradinha do bonitão… Para piorar ainda mais o cenário da briga entre cartéis, a segunda temporada conta ainda com corrupção no exército e investigação da polícia federal.

A primeira temporada de “A Rainha do Sul” foi ao ar no ano passado nos Estados Unidos, pelo canal USA, e no Brasil pelo canal Space. Há duas semanas, a série estreou na Netflix, que disponibiliza os 13 episódios. Já a segunda temporada, em cartaz atualmente nos EUA, entrou na semana passada na programação do canal Space. Vai ao ar às quintas-feiras, às 22h30.


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