Opinião & Análise

Reforma da Previdência

Maioria dos brasileiros acredita em melhora imediata da economia após reforma

Por outro lado, 32,1% acreditam que mudança na Previdência vai prejudicar, indica pesquisa JOTA/Ibpad

reforma abuso de autoridade
Votação em plenário do primeiro turno da reforma da Previdência / Crédito: Michel Jesus/ Câmara dos Deputados

A maioria dos brasileiros associa a reforma da Previdência à expectativa imediata de crescimento econômico, como mostra a mais recente pesquisa JOTA/Ibpad (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados).

Segundo os números da pesquisa, 56,1% dizem que a reforma vai ajudar no crescimento econômico, enquanto 32,1% dizem que ela irá prejudicar. Para 4,9%, o impacto na economia será indiferente.

A parcela de brasileiros que quer a inclusão de estados e municípios na Previdência aumentou: eram 71% em junho, e agora são 78,5%. Os contrários, atualmente, são apenas 13,5%.

A pesquisa também mostrou que quase metade dos eleitores promete punir parlamentares que votarem contra a reforma. Para 49,5% dos entrevistados, o posicionamento contrário à mudança na Previdência diminuiria as chances de se votar no deputado.

A pesquisa foi feita com 1.045 pessoas, por telefone, entre os dias 30 de julho e 1 de agosto e conta com respondentes de 26 Estados O intervalo de credibilidade dos valores estimados é de 3,3%. A seleção da amostra foi aleatória e após a coleta o time de dados do JOTA Labs aplicou um modelo de pós-estratificação usando variáveis como gênero, idade e escolaridade. Esse trabalho estatístico é importante para garantir o balanceamento da amostra e segue técnicas propostas por professores como Andrew Gelman.

Governo Bolsonaro

A visão sobre a gestão de Bolsonaro na Presidência da República é dividida. O governo é considerado ótimo/bom por 38,4%, enquanto 29,6% avaliam que o a gestão do Executivo é regular e 28,8%, ruim ou péssimo.

Na comparação com Temer, 54,3% dizem que o atual governo é melhor, 28,5% acreditam que seja igual e 14,3%, que é pior. Já na comparação com Dilma, 57,5% dizem que a gestão Bolsonaro é melhor, enquanto para 19,3% é igual e para 20% é pior.

Repercussão

“A população foi sendo convencida de que o Estado brasileiro não suporta continuar gastando mais do que arrecada e que a reforma da previdência é um passo inicial para trazer o custo do estado brasileiro para dentro do orçamento brasileiro”, diz o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que foi presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência.

“Meu único medo é a confiança da população se transformar em frustração se o governo não conseguir fazer esse reflexo da economia financista chegar na economia geral. Por enquanto os efeitos são meramente financeiros, mas ainda não temos efeitos na economia real”, pondera Ramos.

Para o deputado Lafayette Andrada (PRB-MG), os dados da pesquisa refletem o consenso geral que há nos setores produtivos sobre a necessidade de aprovar a reforma da Previdência. Quanto à promessa de punição do eleitorado àqueles que votarem contra as mudanças na aposentadoria, Andrada é mais cético.

“Em politica a gente sabe que vale aquela frase tradicional e antiga: a política é como as nuvens, cada hora que olha para o céu elas estão diferente. Então, fazer uma previsão para daqui a quatro anos é muito longe, é muita água para passar debaixo da ponte, é uma previsão impossível de fazer”, diz.


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