Opinião & Análise

EUA

Madam president – O 5º ano de House of Cards

Os Underwood terão de jogar mais sujo ainda para manter-se na Casa Branca

Quando o agora presidente Frank Underwood (Kevin Spacey) cria um cenário de terror, ao fim da quarta temporada, para desviar a atenção do público dos escândalos de corrupção de seu governo, achei que já tivesse visto de tudo em House of Cards. Seria impossível que a quinta temporada pudesse superar sua antecessora em tramoias, armações e jogadas sujas. E, verdade seja dita, as novas manipulações de Frank não parecem, à primeira vista, tão criminosas. Os resultados, no entanto, são nocivos, por prejudicar toda uma nação e ferir a democracia.

Frank Underwood, no entanto, prova, nesta nova temporada, muito de seu próprio veneno. Suas chantagens, seus blefes e suas ações megalomaníacas e egocêntricas não ficarão sem troco. Afinal, manter-se no topo pode ser muito mais difícil do que conquistá-lo. Frank, candidato à reeleição, sofrerá ataques de seus oponentes da mesma forma irresponsável com a qual costuma tratar seus adversários. Há até tentativa de golpe militar para intervenção do governo de Frank e Claire Underwood (Robin Wright), a primeira-dama, vice-presidente e presidente interina. Sim, Claire coloca a coroa em sua cabeça. E ela gosta muito do poder. Tanto que chega a achar que Frank está atrapalhando sua ascensão política.

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Além da campanha presidencial, que Frank precisa manipular para não perder de lavada, os chefes da Casa Branca terão de lidar com complexos acordos internacionais e, o que é pior, terão de se proteger de Tom Hammerschimidt (Boris McGiver). Editor-executivo do The Washington Herald, ele investiga os Underwood, seguindo as pistas deixadas pela repórter Zoe Barnes (Kate Mara) e pelo seu editor Lucas Goodwin (Sebastian Arcelus).

Por mais que o castelo de cartas de Frank comece a se reerguer lá pelo meio da temporada, a construção é tão frágil que qualquer sopro de vento pode derrubá-lo. O problema é que um furacão se aproxima. Mesmo com as manobras para fugir do escândalo da temporada anterior, os trabalhos na CPI que investiga os crimes de Frank terão continuidade. Agora, antigos aliados e desafetos podem ressurgir para destruir o reinado dos Underwood. Remy Danton (Mahershala Ali) e Jackie Sharp (Molly Parker) podem dar trabalho. Até mesmo Leann Harvey (Neve Campbell) e Seth Grayson (Derek Cecil) sofrerão as consequências das armações do casal.

Não é só a carreira política dos Underwood que está no olho do furacão. A vida pessoal – mais precisamente, a vida amorosa e sexual – do casal também está complicada. Tom Yates (Paul Sparks) está cada vez mais envolvido com a primeira-dama e vice-presidente. Já Frank, depois de perder sua paixão de faculdade, encontra alento nos braços de um novo affair. Nesse campo, a fragilidade do governo é espantosa.

Mais espantosa ainda é a frieza com a qual Frank e Claire lidam com seus amantes. Por mais que haja envolvimento, os relacionamentos amorosos são sempre descartáveis. Não há paixão que se sobreponha à ambição. A palavra que move Frank nesta temporada é “poder”. Ser presidente é ter um cargo importante, mas não é somente na esfera pública que está o poder. Frank sabe disso. Para ele, pouco importam os holofotes. O negócio dele é a manipulação. Nas mãos de Frank, somos todos marionetes.


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