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Leis térmicas da criminalidade aplicadas no estado do Rio Grande do Sul

Um estudo sobre como o clima pode ter influência na prática de crimes

Vista de Porto Alegre a partir do Morro Santa Teresa. Wikimedia Commons/ Felipe Valduga - Flickr

1. Introdução

As leis térmicas da Criminalidade tendem a demonstrar, por meios de dados recolhidos em um determinado lapso temporal, que o clima é também um dos fatores para o aumento da criminalidade em uma determinada estação do ano, que é pouco estudado e observado nas políticas criminais.

Assim, as leis térmicas nos trazem que no verão são mais praticados crimes contra a pessoa, ou seja homicídio, no outono, não se chegou a nenhum crime em especial, no inverno temos uma maior concentração de crimes contra o patrimônio, sendo desenvolvidos mais crimes de furto e roubo e na primavera temos uma alta gradativa de crimes contra a sexualidade, ou seja, o estupro.

Os resultados que foram encontrados e comprovados por meios estatísticos, que a uma simultaneidade de crimes desenvolvidos em uma determinada estação do ano, assim iremos explicamos essa incidência exagerada em uma estação do ano e qual a influência do clima.

2. Surgimento das leis térmicas da criminalidade

Desde que o mundo surgiu, seja pela teoria religiosa em que Deus criou tudo, ou pela teoria do Big Bang, algo sempre existiu, o clima. Tanto na época dos dinossauros, ou no surgimento da primeira sociedade, e do próprio direito, sempre se esteve presente o clima, com suas especificidades.

Sendo assim, o clima também está influenciando na pratica de crimes, e foi Lambert Adolphe Jacques Quetelet em 1835 que organiza o conceito de homem médio (Pich, 2013), em seu livro Física Social e as leis térmicas da criminalidade quando percebe uma aproximação de crimes com o clima em seus estudos.

Estudioso da área matemática, estatístico e escritor representante da escola cartográfica e ou estatística da moral, que defendia ser o crime um fenômeno concreto e devendo ser estudado com apoio da estatística, porém a mesma foi mantida nas sombras pelos novos estudos e pensamentos de Lombroso. (Gomes, 2000).

2.1 Aplicabilidade e estatística das Leis térmicas no Estado do Rio Grande do Sul

Nosso trabalho foi desenvolvido no estado do Rio Grande do Sul, pois é um estado com uma definição das estações do seu clima (Pinto, 2016).

Sendo assim, seguindo os ditames das leis térmicas da criminalidade analisando e demostrando estatisticamente que no estado a uma maior incidência de crimes contra a pessoa no verão, as suas causas para essa incidência é que a uma alta temperatura, sendo que as pessoas saem de suas residências e vão para bares, shoppings, festas, como também a um aumento da adrenalina, testosterona, sendo fatores que deixam o estado psicológico mais agressivo, ansioso e agitado, podendo se envolver em brigas mais facilmente, seja nos próprios bares, shows, festas e brigas de transito.

Abaixo temos uma análise de 2010 até 2018 comprovando está maior incidência.

A análise na estação do outono, como mencionado acima, não foi encontrado um índice mais alto em alguns dos crimes analisados.

Na estação do inverno, obtivemos uma variação dos crimes, sendo que ocorrem mais crimes de roubo no outono e inverno, pois as pessoas em climas frios ficam mais acolhidos em sua residência, como quem está na rua a caminho de algum lugar, seja ele pro trabalho ou de volta para casa se encontra sozinho, com poucas pessoas em circulação, motivando maiores chances para o cometimento de roubo, não ocorrendo o mesmo com o furto que contem mais incidência no verão e outono, onde as pessoas estão circulando mais, frequentando festas e bares, como deixando carros e casas abertas, muitas vezes despercebidos.

Porém observamos que no outono o clima sofre uma variação de calor e frio rapidamente, sendo assim, em uma analogia podemos esclarecer que no inverno a uma alta de crimes contra o patrimônio, como analisado abaixo nos gráficos de 2010 até 2018 o primeiro crime de roubo, e segundo de furto.

Assim, partimos para a estação do ano primavera, onde ocorrem mais crimes contra a dignidade sexual, neste trabalho analisamos o crime de estupro consumado.

Na qual tem um aumento no clima inverno e primavera, pois temos uma maior exacerbação da atividade sexual neste período com aumento de temperatura, como observamos no gráfico abaixo de 2012 até 2016. O crescimento passa por uma tendência de alta nos períodos logo após o inverno.

Considerações finais

Com essa análise dos dados do estado do Rio Grande do Sul nos referidos crimes de roubo, furto, estupro e homicídio, podemos destacar que o clima ao longo do tempo sofreu mudanças, que em algumas regiões e ou estados a teoria quando aplicada não surge o resultado esperado, porém no estado do Rio Grande do Sul, onde prevalece uma definição climática em suas estações.

Assim, podemos observar que o clima tem forte influência na prática dos crimes, principalmente nas altas e baixas temperaturas, como analisado acima.

Comprovando a incidência ainda hoje da teoria das leis térmicas da criminalidade, demostrando a importância da escola cartográfica ou estatística da moral, que é pouco conhecida.

***O estudo teve como orientador o professor Daniel Pulcherio Fensterseifer

Referências

AMAZONIA. Estudo liga o clima ao crime Doutoranda pesquisa casos de violência registrados em Belém a partir da análise dos fatores ambientais. Disponível em: http://www.ormnews.com.br/noticia/estudo-liga-o-clima-ao-crime. Acesso em: 12 jun. 2019.

BIFFE JUNIOR, João; LEITÃO JUNIOR, Joaquim. Concursos Públicos: Terminologias e Teorias Inusitadas. 1ª ed. São Paulo: Método, 2017.

GOMES, Luiz Flavio; MOLINA, A. G. P. D; Manuela da criminologia: Introdução dos Fundamentos Teoricos. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000. p. 01-200.

LIMA, Paulo Rogério Ferreira de. Criminologia: uma visão geral e contemporânea na sociedade brasileira Conteúdo Jurídico, Brasilia-DF: 06 out 2019. Disponivel em: https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/44554/criminologia-uma-visao-geral-e-contemporanea-na-sociedade-brasileira. Acesso em: 06 jun 2019.

SANTIAGO PICH. Adolphe quetelet e a biopolitica como teologia secularizada. Rio de Janeiro, 2013. Em preto. Dispon?vel em <http://http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010459702013000300849>. Acesso em: 11 may. 2019.

SERVIÇO DE NOTÍCIAS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE IOWA. Pesquisadores do estado de Iowa apresentam estudo sobre como a mudança climática global afeta a violência. Disponível em: https://www.news.iastate.edu/news/2010/mar/violentclimate. Acesso em: 24 jun. 2019.

THE WEEK. O clima quente realmente alimenta crimes violentos? O pessoal da semana. Disponível em: https://theweek.com/articles/483004/does-hot-weather-really-fuel-violent-crime. Acesso em: 17 jun. 2019.


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