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Bancos x Fintechs: Lados opostos da força?

Bancos e tecnologias disruptivas podem coexistir e gerar sinergias benéficas para ambos os lados

2016. O ano começa animado, afinal depois de 10 anos de espera, as versões um pouco mais adultas dos fãs da saga lotam os cinemas do mundo para assistir Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força. Os sabres de luz  tomam as lojas de brinquedo e expressões como “o lado negro da força”, muito conhecidas da nossa geração, passam a integrar o vocabulário da criançada da era digital.

Enquanto nas telonas a guerra entre Lordes Sith e Cavaleiros Jedi fascina a moçada, o mercado financeiro está de olho em uma “briga” bem mais interessante: “bancos x fintechs”. Muito se tem discutido nos últimos meses acerca da suposta contraposição entre o sistema bancário tradicional e as tecnologias disruptivas empregadas aos serviços financeiros.

Fintechs, moedas virtuais e blockchain são apresentados como o “lado bom da força” lutando contra o “Império” do sistema bancário tradicional, dominado por Lordes Sith disfarçados de banqueiros e grandes corporações. Chamadas como “a última chance dos bancos reinventarem-se” e “será que teremos bancos no futuro” tomam a mídia e fomentam esta visão binária de “nós ou eles”.

Não nos parece ser este o caso. Como ensinou mestre Yoda: “Guerra não faz ninguém grande.”

É fato que o setor está em transformação e o mercado de serviços financeiros deve sofrer grandes mudanças com a influência das novas tecnologias. Isto não quer dizer que os agentes do sistema bancário tradicional têm apenas duas opções: brigar ou render-se. Bancos e tecnologias disruptivas podem coexistir e gerar sinergias benéficas para ambos os lados.

A utilização de tecnologias que permitem registro de transações (blockchain) e levantamento e análise de dados (big data) pode trazer grandes ganhos de eficiência e diminuição de custos de transação para o sistema bancário tradicional. Processos como Know Your Client, análise de risco de crédito e registro de transações podem se tornar menos penosos para os clientes e ao mesmo trazer maior segurança à instituição.

Por outro lado, iniciativas que envolvem operações por meio de plataformas online ou peer-to-peer, ou ainda por meio de aparelhos celulares, bem como transações efetivadas mediante o uso de moedas virtuais, trazem, muitas vezes, uma alternativa viável aos mercados que o sistema bancário tradicional não consegue atingir: o público “desbancarizado”.

A capacidade de atingir esta parcela da população foi apontada como um dos benefícios das novas tecnologias no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), na última quarta-feira (20/1/16). Isto vale tanto para as fintechs quanto para as moedas virtuais.

No Brasil, as sinergias entre fintechs e instituições financeiras já são vistas no mercado de peer-to-peer e operações de empréstimo por meio de plataformas online. O trabalho conjunto por aqui foi impulsionado pela legislação local que proíbe a intermediação financeira por entidades sem a devida autorização para tanto.

Algumas instituições financeiras e fintechs estão trabalhando em conjunto para oferecer acesso ao crédito de forma rápida, descomplicada e com taxas competitivas por meios remotos. Estruturas inovadoras pautadas nas operações autorizadas e regulamentadas pelas autoridades governamentais viabilizam os modelos de negócios.

Inova-se nos processos de Know Your Client e análise de risco de crédito. A tecnologia conhecida como “Big Data” é o grande herói e não deixa nada a desejar para um “R2-D2” ou um “BB-8”. A capacidade de cruzamento de dados e verificação de informações permite a criação de scores (notas) mais precisos de clientes que, por sua vez, acessam condições de crédito mais adaptadas a suas características.

A experiência totalmente digital e remota (por meio de telefones, smartphones, tablets e computadores) associada a um processo descomplicado e seguro é a receita para acessar a grande parcela “desbancarizada” da população. E isto, é claro, beneficia o mercado como um todo.

Esperamos que 2016 continue um ano animado, com bancos e fintechs do mesmo lado da força buscando novos modelos de negócios e maiores sinergias. Deixemos as batalhas para a ficção. Afinal, sabres de luz podem fazer um belo estrago!


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