Opinião & Análise

Advocacia

Desmistificando os rankings jurídicos internacionais

Uma breve análise sob cinco aspectos

Há tempos os rankings jurídicos internacionais deixaram de ser assunto apenas para os grandes escritórios; na verdade, nunca foram. Mas, fato é que, pelo menos no Brasil, existia uma percepção de que essas publicações eram inacessíveis para escritórios menores, e que os processos de submission – os famosos formulários de pesquisa – eram coisa para gente da “NASA” administrar.

Realmente, é preciso estratégia e coerência nesse trabalho, mas antes de pensarmos em preencher formulários, vale uma reflexão sobre outros pontos importantes que esse processo envolve.

  1. A fase de autoanálise

É a primeira e mais importante etapa de todo o processo. É onde a equipe e os advogados avaliam suas forças e fragilidades em relação aos seus competidores na área específica de atuação. Uma avaliação genuína para enxergar se efetivamente são competitivos, se há projetos e casos relevantes para sustentar sua representatividade no mercado; ou seja, não adianta dizer que “somos bons”, temos que evidenciar que realmente somos.

Se o resultado dessa fase mais “sensível” mostrou que a área e o advogado são competitivos, pode valer a pena ler o restante desse artigo. Se não, talvez não compense todo o esforço para concorrer na área específica, e sim aproveitar as muitas horas que o processo exige para dedicar-se a outras atividades que sejam mais essenciais à sua prática.

  1. Simplificando o processo de submission

Sabem o que eu mais gosto nos formulários? Os limites. Sim, gosto de ler “não ultrapasse um projeto/caso por página”. Acredite, isso facilita a vida do pesquisador e a de todos os demais profissionais envolvidos, especialmente a do advogado. Imaginemos um pesquisador do outro lado do mundo dedicando-se ao máximo para entender um mercado complexo como o brasileiro, com a realidade de um número de escritórios cada vez maior participando das pesquisas. Só tem uma forma de ele(a) dar conta disso: filtrando informações. Nesse cenário, o que podemos fazer é já preencher os formulários de forma clara e objetiva, explorando o que realmente é relevante e lembrando que muito provavelmente o(a) pesquisador(a) não é um advogado(a).

Parece óbvio, mas muitos escritórios se prejudicam por não compreender as perguntas da pesquisa e se alongam em respostas que não terão qualquer valor na análise do(a) pesquisador (a), deixando de mencionar o que de fato importa.

  1. Ano, mês, semana, dias…

Ao longo dos anos, o que mais tenho visto são áreas e advogados em uma corrida alucinada de uma semana ou alguns poucos dias compilando informações “relevantes” para participar de pesquisas de guias jurídicos. O processo fica doído, pesado e extremamente desgastante para os advogados. A experiência mostra que esse modelo é pouco eficiente e nada eficaz.

A pesquisa considera trabalhos de um ano e, concordemos, projeto ou caso realmente relevante não surge todos os dias. Assim, quando aparece, é fácil identificar. Alguns escritórios têm bons sistemas de gestão de casos e operações, mas, para essa finalidade, não é o sistema que fará a diferença, mas sim a cultura e a visão. Basta um controle simples para manter o registro desses casos. É bem mais fácil trazer dados de uma única fonte do que parar uma equipe inteira para recuperar informações de doze meses.

  1. A questão da confidencialidade

Estamos falando do cliente; e ele, sim, deve ocupar o primeiro lugar no pódio e precisa ser preservado; ranking algum justifica explorar informações sigilosas acordadas com nosso cliente, antes de mais nada, por questões éticas. Por outro lado, é preciso entender o que efetivamente é confidencial e saber trabalhar com as informações adequadamente na submission.

  1. Atestando o trabalho

Eis um aspecto ainda pouco entendido pelos escritórios: o mercado precisa legitimar a qualidade dos serviços (e de atendimento) das áreas e dos advogados.

O feedback dos clientes e contatos tem maior peso na pesquisa de alguns guias jurídicos. É muito mais do que preencher uma planilha com informações de contato – é estratégia pura e precisa estar coerente com as informações fornecidas no formulário de pesquisa.

 

A intenção nesse breve artigo foi trazer alguns dos elementos mais importantes nos intensos processos de pesquisa no mercado jurídico. Não há como negar a importância que os guias carregam ao legitimar a relevância dos escritórios e de seus advogados. É uma evidência de expertise.

Mas, certamente, não é a única forma de atestar a qualidade ao cliente e gerar novos negócios. As referências de mercado são diversas e é preciso identificá-las e aplicá-las a favor de seu escritório e de sua atuação. Nunca haverá espaço suficiente nos guias jurídicos para abarcar todos os escritórios e advogados excelentes; isso não é falha de pesquisa, é uma questão de física. Todos podem concorrer e alguns dos melhores vão entrar.

Se sua área e você são realmente diferenciados no competitivo mercado jurídico, vale, sim, organizar estrategicamente sua participação nessas pesquisas, entendendo bem as suas regras, procedimentos e modelo de negócio. Por outro lado, considere reconhecer a sua importância sem a dependência dos guias jurídicos, orientando outras ações para evidenciá-la ao seu mercado de interesse.


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