Opinião & Análise

Previdência

A intervenção no Postalis tem a ver com suas finanças?

Não atribua ao Estado ou ao empregador toda a responsabilidade por construir seu futuro financeiro

O noticiário nos últimos tempos está fervendo com notícias relacionadas à aposentadoria. Quer ver alguns exemplos?

“E o quico?”, você pode me perguntar… Tem bastante a ver comigo, com você, seus pais, familiares e amigos…

Um dos assuntos mais comentados, ou até “batidos”, em finanças pessoais é “aposentadoria”. Este termo pode ter significados diferentes – desde aquela foto padrão do casal de velhinhos de mãos dadas na praia com um sorrisão no rosto, até a tal da “aposentadoria antecipada”, conceito que alguns jovens pelo mundo adotam, seguindo um estilo de vida mais frugal e economizando quantias maiores de dinheiro para não depender do trabalho ainda novos[2]. Faz sentido, então, considerar “aposentado” quem não depende da renda proveniente da venda de seu tempo (como empregado, autônomo ou empreendedor, tanto faz).

De qualquer forma, o assunto é exageradamente falado por ser extremamente importante, e por um motivo muito simples: algum dia, todos nós: (i) vamos querer parar de vender nosso tempo; (ii) não teremos condições para fazê-lo; ou (iii) alguém decidirá por nós que nosso tempo não vale mais o que valia antes. A probabilidade de uma destas três alternativas acontecer é altíssima e daí a preocupação muito grande com este assunto. No momento em que estivermos diante de um desses três cenários, seria ideal termos uma fonte de renda que nos permitisse viver dignamente e realizar aquela visão idealizada de nosso futuro. E então, se convenceu? Se sim, quais as formas disponíveis que temos para pensarmos em nosso futuro financeiro?

1) Previdência Oficial / INSS – Podemos confiar no Estado para nos dizer quando e com quanto de renda poderemos nos aposentar. Para isso, o Instituto Nacional de Seguridade Social adota o modelo contributivo – quem paga INSS agora financia a aposentadoria de quem está aposentado, na esperança de que haja pessoas suficientes no futuro contribuindo para que, quando chegue sua vez, sua aposentadoria seja paga.

2-) Previdência Complementar (Fechada ou Aberta) – Também é possível investir em planos de previdência privada oferecidos pelas instituições financeiras a qualquer pessoa (entidades abertas, conhecidas como “previdência privada”), ou em planos oferecidos pelas empresas, onde somente funcionários podem contribuir e usufruir dos benefícios (os chamados “fundos de pensão”). Eles também dependem das contribuições feitas pelos participantes e dos rendimentos dos ativos para conseguir pagar os benefícios a todos.

3-) “Faça Você Mesmo” – A própria pessoa usa seu dinheiro agora e forma patrimônio de maneira mais direta, comprando ativos em seu próprio nome, financeiros ou reais (imóveis, por exemplo), ou assumindo riscos com empreendimentos, tirando renda deste patrimônio no futuro.

Cada método tem suas vantagens e problemas (fundos de pensão, por exemplo, geralmente possuem uma estrutura em que a empresa deposita para o empregado a mesma quantia que ele depositar no fundo, limitado até certo valor – e este é um benefício ENORME), sendo um dos critérios de avaliação o grau de controle que o indivíduo tem sobre seu dinheiro.

E é exatamente aí que o noticiário recente afeta a você e a todos nós. Os exemplos de notícias trazidos são casos claros em que pessoas pensaram que alcançaram a tão sonhada aposentadoria e as coisas não aconteceram como o planejado.

Todos os contribuintes para o INSS, bem como todos os pensionistas dos fundos de pensão mencionados, não têm nenhuma ou têm poucas escolhas depois que estas situações acontecem e se confirmam (aí é “só lamento”, mesmo). Os jovens de hoje talvez vejam maiores e mais profundas alterações na Previdência oficial, dada a eventual dificuldade de se manter o modelo contributivo que se tem hoje. Ou seja, existe risco real de, se o seu futuro financeiro estiver 100% na mão do Estado ou de um único terceiro, você não receber o que esperava em uma fase da vida em que possa vir a precisar, seja por problemas conjunturais da economia ou até mesmo por alguma falcatrua.

E então… o que fazer em relação a isso tudo? Algumas dicas:

  • Não terceirize seu futuro. Não atribua ao Estado ou ao seu empregador toda a responsabilidade por construir seu futuro financeiro, principalmente em relação à sua aposentadoria. Ou seja – invista você mesmo se quer aumentar as probabilidades de ver sua visão de futuro financeiro realizada. Isso não significa que você não deva usar as ferramentas que estão disponíveis, e sim que você deve acompanhar onde coloca seus investimentos (inclusive a Previdência Oficial) e não ter medo de fazer mudanças se as condições que você avaliou antes não mais se verificam. Afinal, aposto que você iria achar muito legal se o Estado falasse, em 2050, que ninguém tem mais direito a se aposentar e isso não te afetasse nem um pouco, certo?
  • Conheça e entenda os riscos. Não se engane: todo investimento tem riscos, por menor que seja (desconfie de quem te diz que determinado investimento não tem risco algum – até guardar dinheiro embaixo do colchão tem seus riscos!). Logo, tente conhecer e pesquisar os riscos atrelados a cada lugar onde você põe seu dinheiro. Conhecendo quais são as coisas que podem dar errado, você consegue filtrar as informações relevantes e agir quando souber de algo que impacta seus investimentos. A regra de ouro é: se você não consegue entender o investimento a ponto de explicar para sua avó, não invista!
  • Suas chances de se proteger de algum problema grande em algum dos seus investimentos é espalhá-los em várias coisas. Deu ruim no fundo de pensão? Você tem aquele CDB ou aquela grana no Tesouro Direto que te ajuda a segurar. Investe em Tesouro Direto e viu uma queda no seu extrato? As ações que você investiu podem compensar esta queda.

Com estas três pequenas dicas, você com certeza conseguirá suavizar os solavancos no seu patrimônio durante o tempo e realizar a visão que imagina para seu futuro financeiro, sem depender de ninguém. Que tal colocar isso em prática hoje? Quero saber as suas experiências.

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[1] Entende-se que o fundo de pensão está em déficit quando o total de ativos investidos pelos participantes não é suficiente para pagar os benefícios de todos (os já aposentados e os que ainda contribuem).

[2] Quem quiser ver mais sobre isso, pode procurar por “essencialismo” e “minimalismo”. Há vários livros sobre estes temas e blogs de pessoas no mundo todo que noticiam suas jornadas rumo à aposentadoria antecipada. Também sugiro um documentário sobre o tema chamado “Minimalism – A Documentary About the Important Things (https://minimalismfilm.com/).


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