Análise

RISCO POLÍTICO

Ministros querem Bolsonaro dentro da cartilha social para evitar derrota nas urnas

Neste Natal, quem ganha presentes é Lula. Presidente precisará decidir opção por radicalismo ou campanha social

Bolsonaro em comemoração do dia do Forró, na segunda-feira (13/12) | Foto: Isac Nóbrega/PR

A semana começou e terminou com más notícias para o governo federal. Mais um confronto entre o Supremo Tribunal Federal (STF), mais uma derrota: prevaleceu o entendimento do ministro Luís Roberto Barroso em favor do passaporte sanitário em aeroportos, o que deixou a base do presidente novamente enfurecida com as instituições.

Isso é muito importante para entender o dilema de Jair Bolsonaro (PL) a dez meses das eleições, especialmente agora em que as pesquisas de intenção de voto estão assustando o Palácio do Planalto com a hipótese de uma vitória do ex-presidente Lula ainda no primeiro turno. Esse grupo mais radical, que é fundamental para manter Bolsonaro com seus 25% de aprovação popular, até agora acaba sendo uma âncora para o presidente.

Os políticos que o cercam defendem mais moderação e alinhamento com as entregas do governo para a população mais carente: programas sociais, obras, empréstimos, ou seja, medidas que afetam a economia real e o bolso dos eleitores. Mas acontece que sempre que Bolsonaro segue a cartilha do centrão, ele perde pontos com seus fiéis seguidores, ditos “ideológicos”. E fica difícil para o presidente equilibrar as demandas desses dois grupos.

Em conversas reservadas, ministros revelam existir apreensão com essa ambiguidade e torcem para que o susto da nova rodada de pesquisas coloque Bolsonaro no figurino do candidato tradicional que tem a máquina do governo na mão para usá-la em benefício próprio e de seus aliados.

 

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A uma semana do Natal, quem ganha presentes hoje é Lula, agora cada vez mais próximo de uma aliança com o moderado e conservador Geraldo Alckmin. E Bolsonaro vai ter, ao que tudo indica, uma ceia mais magra. Talvez seja essa a senha para aumentar o seu apetite por uma campanha com forte apelo social, já que o discurso de “combate ao comunismo” não põe comida na mesa de ninguém.

As análises completas de Fabio Zambelli, analista-chefe do JOTA, sobre a semana para o governo estão disponíveis também no perfil do JOTA no Instagram (@jotaflash) às sexta-feiras.