Jazz

Liderança

O Trio Tapestry de Joe Lovano

Saxofonista lança álbum com 11 peças de sua autoria

Foto: divulgação

O grande saxofonista Joe Lovano, que comemorou 66 anos em dezembro último, começa 2019 com agenda cheia. Tem turnês programadas nos Estados Unidos e na Europa para apresentar ao vivo o seu Trio Tapestry, integrado pela pianista Marilyn Crispell e pelo baterista Carmen Castaldi. E no próximo dia 25 a ECM lança, oficialmente, o álbum Trio Tapestry, gravado em março do ano findo, e que vem a ser o primeiro de Lovano como líder para a renomada etiqueta de Manfred Eicher.

É que o cream of the crop da obra do mestre do sax tenor (eventualmente do sax soprano ou do straight alto) está nos mais de 20 CDs que ele gravou como estrela do selo Blue Note entre 1990 e 2016, à frente de trios, quartetos, nonetos e duos. Com destaque – a partir de 2009 – para o conjunto US Five (Esperanza Spalding, baixo; James Weidman, piano; Ottis Brown III e Francisco Mela, bateristas). No catálogo da ECM, Lovano está representado em vários discos, mas na condição de sideman, principalmente de dois músicos inesquecíveis: o baterista Paul Motian (1931-2011) e o guitarrista John Abercrombie (1944-2017).

O primeiro registro do novo Trio Tapestry é uma seleção de 11 composições inéditas do saxofonista que, segundo ele, representa “a música mais íntima e pessoal que já gravei”. O release do álbum ressalta ainda que Lovano “desenrola uma tapeçaria (tapestry) de expressões modais tecidas por seu cintilante saxofone, pela intensa espiritualidade do piano e por uma gama de excepcionais acentos percussivos”.

A veterana pianista Marilyn Crispell, de sólida formação erudita, converteu-se ao jazz de vanguarda na década de 1970, depois de “descobrir” John Coltrane. E acabou por associar-se ao compositor-saxofonista Anthony Braxton – um dos mais revolucionários músicos do new jazz, adepto da “harmolodia” de Ornette Coleman, mas também das fórmulas seriais introduzidas por John Cage e Stockhausen. O baterista Carmen Cristaldi é um velho companheiro de Lovano, desde os tempos de Cleveland, onde ambos nasceram, cresceram, e despontaram como new stars.

No álbum agora em lançamento, o trio dá preferência a um interplay de “lirismo esvoaçante e textura delicada”, como ressaltam as notas de apresentação da ECM. Sobretudo nas cinco primeiras faixas da seleção: One time in (3m40), Seeds of change (5m15), Razzle dazzle (3m40), Sparkle lights (4m05) e Mystic (8m25) – nesta última com Lovano trocando o sax tenor pelo soprano.

Mas em Spirit lake (3m50) e The smiling dog (2m55), Lovano, Crispell e Cristaldi aventuram-se – para maior gáudio da pianista – numa troca de ideias bem free. Sobretudo na faixa de menos de três minutos, que é uma homenagem do saxofonista-líder ao clube Smiling Dog, que foi o point jazzístico de Cleveland entre 1971 e 1975, e no qual se apresentavam músicos do quilate de McCoy Tyner, Herbie Hancock, Bill Evans, Charles Mingus e Pharoah Sanders.

Lovano lembra-se muito bem da “energia incrível” daquele clube, “onde o conjunto Weather Report se apresentou num de seus primeiros gigs”. E acrescenta: “Toquei lá um monte de vezes com grupos diversos (…). Durante o mixing e as sessões para o novo álbum, esse título surgiu com a energia dessa peça. Isso foi talvez em 1975, pouco antes da minha mudança para Nova York. Eu tinha 21 ou 22 anos, e meu quarteto – com Carmen na bateria – se apresentou numa noite em que a principal atração era Elvin Jones. Essa peça é inspirada naquele momento”.

(Vídeo em: www.facebook.com/ecmrecords/videos/joe-lovano-trio-tapestry-seeds-of-change/2014801345271013/)


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