Jazz

Ao vivo

O Quartette Oblique de Dave Liebman e Michael Stephens

Em CD ao vivo, saxofonista e baterista unem-se ao pianista Marc Copland e ao baixista Drew Gress

Foto: divulgação

O Quartette Oblique estreia em álbum assim intitulado, recém-lançado pelo selo Sunnyside. Trata-se de um conjunto montado pelo irrequieto baterista, escritor e professor universitário Michael Stephans, em consórcio com outros três jazzmen fora de série: o saxofonista (tenor e soprano) Dave Liebman, o pianista Marc Copland e o baixista Drew Gress.

Nas notas de apresentação do CD, Stephans assim procurou exprimir a sua concepção: “Para mim, o Quartette Oblique começou como uma espécie de sonho – uma série oblíqua, fugaz, flutuante de sons e imagens; caminhos oblíquos, indiretos, sinuosos, se preferirem. Estes adjetivos descrevem apropriadamente o grupo”.

O registro do QO agora editado foi feito ao vivo, em 2017, no clube Deer Head Inn, Pennsylvania. São ao todo sete faixas, num total de uma hora e 10 minutos: Nardis (8m55), All blues (12m30) e So what? (13m20), temas históricos de Miles Davis; In a sentimental mood (6m40), de Duke Ellington; Vesper (7m30), do baixista Gress; Vertigo (11m50), de John Abercrombie; You and the night and the music (9m45), conhecido standard da década de 1930.

Embora esse “quarteto oblíquo” deva ser apreciado com um todo, não há como deixar de ressaltar as performances particularmente eloquentes de Liebman e Copland. O saxofonista – sagrado “Jazz Master” pela National Endowment for the Arts (NEA), em 2011 – começou a brilhar como sideman do Miles Davis “elétrico” da década de 1970, ao lado de Herbie Hancock e Chick Corea. Mas acabou por aderir ao legado de John Coltrane ao fundar o celebrado quarteto Quest.

Já o pianista Copland – hoje com 70 anos – enriqueceu a sua discografia mais recentemente com o lançamento, pela etiqueta ECM, de dois excelentes álbuns, em trio com o venerável baixista Gary Peacock e o baterista Joey Baron: Now This (2015) e Tangents (2017).

Em Nardis, logo na abertura de Quartette Oblique, Dave Liebman sopra o sax tenor num solo arrebatador, de mais de quatro minutos, que é um brinde à arte expressionista de Coltrane. Com vigor e imaginação também notáveis, ele fecha o CD com So what, peça na qual Drew Gress exibe com destaque a sua arte no contrabaixo. Liebman dá preferência ao sax soprano em três faixas: In a sentimental mood, com confortável colchão harmônico-melódico provido pelo pianista Copland; Vertigo, que foi composta pelo saudoso guitarrista Abercrombie (1944-2017); o milesiano All blues, numa reinvenção muito animada, bem free, do quarteto como um todo.

Vale reproduzir a conclusão das liner notes de QO: “Com músicos inovadores, de backgrounds musicais diversos, o Quartette interage no espírito de comunicação improvisacional, movendo-se obliquamente por paisagens musicais dinâmicas, e criando um conjunto de performances a iluminar o que o crítico de jazz Whitney Balliett chamou de ‘o som da surpresa’”.

(A faixa Nardis pode ser ouvida em: soundcloud.com/sunnysiderecords/quartette-oblique-nardis)

(Samples de todas as faixas do álbum em: itunes.apple.com/us/album/so-what-feat-michael-stephans-david-liebman-marc-copland/1437325554?i=1437325570).


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito