Jazz

Greve dos servidores

O melhor álbum de jazz de 2014

CD do colossal Sonny Rollins tem faixas gravadas ao vivo entre 2001 e 2012

Em “Saiu do forno o novo CD de Sonny Rollins“, escrevi que o então recém-lançado Road shows, vol. 3 (Sony Music Masterworks-Okeh) era candidato certo ao título de “disco do ano” no planeta jazz.

O palpite deu certo. A seleção de seis faixas inéditas – com 70 minutos de música e aplausos gravados entre 2001 e 2012, em concertos no Japão, na França e nos Estados Unidos – lidera a lista dos 40 Top CDs do ano (distribuídos entre 12/11/2013 e 4/11/2014) escolhida pelos principais colaboradores e reviwers da JazzTimes, e publicada na edição de janeiro-fevereiro da referencial revista especializada.

A maior lenda viva do jazz lançara, em setembro de 2011, no seu selo Doxy, o segundo volume da série Road shows, contendo um registro daquele magnífico concerto realizado um ano antes, no Beacon Theatre, Nova York, comemorativo do 80º aniversário do “Saxophone Colossus”. O álbum foi eleito o “disco do ano”, não só pela JazzTimes mas também por outras publicações e sites de jazz. O mesmo ocorrera em 2009, ano em que apareceu o primeiro volume da série de tapes inéditos, garimpados e selecionados pelo próprio Rollins.

Crédito Divulgação
Crédito Divulgação

Os outros nove CDs mais votados agora, no pleito anual dos críticos da JT, foram, pela ordem, os seguintes:

– The imagined savior is far easier to paint (Blue Note), o terceiro registro como líder do trompetista new star Ambrose Akinmusire, no qual ele realça os seus dotes de compositor, à frente do seu quinteto (com o sax tenor Walter Smith III), e vocalistas convidados (Becca Stevens e Theo Bleckmann, em uma faixa cada).

– All rise: A joyful elegy for Fats Waller (Blue Note), uma “desconstrução” das composições de Fats Waller, heroi da “Harlem Renaissance”, pelo pianista Jason Moran – o mais criativo da geração nascida na década de 1970 -no leme do seu trio Bandwagon (Tarus Mateen, baixo; Nasheet Waits, bateria), com a adesão da vocalista Meshell Ndegeocello em algumas faixas.

– Lathe of heaven (ECM), o primeiro álbum do quarteto do eminente saxofonista tenor Mark Turner para a sofisticada etiqueta alemã de Manfred Eicher. Os sidemen de Turner são Avishai Cohen (trompete), Joe Martin (baixo) e Marcus Gilmore (bateria).

– Mise em abîme (PI records), nova seleção de oito peças do impactante oiteto do saxofonista alto-compositor Steve Lehman, que produz música descrita como uma “síntese sem precedente de harmonia espectral (com uso eventual da eletrônica), ritmos complexos e tórridos solos”. Na composição do grupo destacam-se, além do líder, Mark Shim (sax tenor), Jonathan Finlayson (trompete) e Chris Dingman (vibrafone).

– Last dance (ECM), o segundo volume das sessões intimistas gravadas em 2007 pelos grandes Keith Jarrett (piano) e Charlie Haden (baixo) – este falecido, aos 76 anos, em julho do ano passado. São momentos eminentemente melódicos, de profunda reflexão do duo, comentados nesta coluna (28/6/2014).

– Trilogy (Stretch/Concord), CD triplo de um excepcional trio de Chick Corea (Christian McBride, baixo; Brian Blade, bateria) contendo um total de 17 faixas (três horas e meia de música), registros de concertos, mundo afora, entre 2010 e 2012. Além da recriação de peças bem conhecidas do pianista, de Thelonious Monk e de standards, a seleção inclui a Piano sonata: The moon (30m), de Corea, e uma versão alentada (10m40) de um prelúdio de Scriabin (Opus 11, nº 9).

– The art of conversation (Impulse!), duo dos também veteranos e magistrais Kenny Barron (piano) e Dave Holland (baixo), gravado em março do ano passado (Destaque desta coluna em 25/10/2014).

– Landmarks (Blue Note), quarto álbum do sexteto The Fellowship Band, criado e dirigido pelo notável baterista-compositor Brian Blade. Fazem parte do conjunto, desde 1998, Myron Walden (sax alto), Melvin Butler (saxes tenor e soprano) e Jon Cowherd (piano).

– New throned king (5 Passion), do sax alto Yosvani Terry, da new wave de músicos cubanos radicados em Nova York, numa suíte que integra o jazz contemporâneo e a música derivada dos rituais religiosos afro-caribenhos em Cuba e no Haiti. No grupo de Terry, seu irmão Yunior (baixo), Osmany Paredes (piano), Justin Brown (bateria), Pedro Martinez (vocal) e percussão variada.

 

Publicada originalmente no JB Online.


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