Jazz

Avalanche sonora

O eletrizante trio de Jamie Saft

Tecladista toca órgão e (até) cravo elétricos em novo álbum da RareNoise

No ano passado (15/9/2018) esta coluna destacou a arte de Jamie Saft quando do lançamento do CD Blue Dream (RareNoise Records), com o tecladista-compositor no comando de um quarteto “bem-comportado”, na companhia de Bill McHenry (sax tenor), Bradley Jones (baixo) e Nasheet Waits (bateria). Bem diferente dos outros discos de Saft para o selo que privilegia “ruídos raros” e também dos 11 da etiqueta Tzadik em que atuou como sideman do extravagante John Zorn entre 1999 e 2005.

Pois o multifacetado jazzman, 48 anos, está de volta às lojas e plataformas virtuais, no mesmo selo vanguardista sediado em Londres, com o álbum You Don’t Know the Lifeao lado dos reverenciados Steve Swallow (baixo elétrico), 78, e Bobby Previte (bateria), 67. 

Só que, desta vez, ele não se apresenta como pianista, mas interpreta as 10 faixas do repertório tocando órgão elétrico (Hammond B-3 ou um Whitehall da década de 1960). E até um cravo também plugado, como em Re: Person I knew (4m30), tema muito conhecido de Bill Evans, que é transfigurado(ou desfigurado) num tratamento musical “extraterrestre” à la Sun Ra (1914-1993).

Não se trata, assim, de uma seleção de temas improvisados naquela linha tradicional (bluesysoulgroovy) característica dos saudosos organ trios de Jimmy Smith e Jack McDuff. Contudo – com exceção da peça acima referida e dThe cloack (4m20), uma “avalanche” sonora de autoria do líder – as demais faixas não deixam de fazer referências, às vezes até contemplativas, àqueles combos típicos do período 1950-60.

Principalmente a solene Dark squares (5m40) e Water from breath (4m20). O próprio tema que dá título ao recém-lançado álbum de Saft, de uma banda rockish de 1968, soa como “uma solitária cainhada noturnapor uma viela, de alguém pensando num amor recém-perdido”, para usar imagem tirada da review de Dan McClenaghan no site All About Jazz.

O excepcional e eclético trio de Jamie Saft interpreta também uma peça do saudoso trombonista vanguardista Roswell Rudd (1935-2017), Ode to a green frisbee (2m10), com destaque especial para a bateria de Bobby Previte. E encerra o menu com dois standards muito conhecidos: Moonlight in Vermont (3m05), da década de 1940, Alfie (3m35), o original de BurtBacharach, de 1966.

(Três faixas de You Don’t Know the Life podem ser ouvidas em: www.rarenoiserecords.com/jukebox/ssp/ydktl/)

(Samples deste álbum: itunes.apple.com/tr/album/you-dont-know-the-life/1448875658)


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito