Jazz

especial atenção

Novos álbuns de Denny Zeitlin e Alan Broadbent

Veteranos pianistas lançam Remembering Miles e New York Notes

Foto: divulgação

Dois veteranos pianistas de sólida reputação no planeta jazz reaparecem nas lojas e plataformas virtuais em álbuns que merecem especial atenção por parte dos ouvintes mais exigentes. Sobretudo aqueles que se apaixonaram, desde cedo, pela temática do bebop e do hardbop.

Denny Zeitlin, 81 anos, é a estrela solitária de Remembering Miles (Sunnyside), uma seleção de 13 peças originalmente compostas por Miles Davis ou a ele associadas, reinterpretadas ao vivo, em 2016, numa das “residências” do virtuose na Piedmont Piano Company, em Oakland, California. O jovem Dr. Zeitlin já era psiquiatra formado pela Universidade Johns Hopkins quando John Hammond – então manda-chuva na Columbia Records – descobriu que ele era também um craque no teclado, e produziu seus primeiros LPs em 1964 (Cathexis e Carnival).

Alan Broadbent, 72, nasceu na Nova Zelândia. Em 1966, foi estudar no Berklee College of Music de Boston, e ficou nos Estados Unidos, onde tocou e gravou com jazzmen do porte de Woody Herman (década de 1970), Charlie Haden, Warne Marsh e Lee Konitz. E também com vocalistas do brilho de Diana Kral, Sheila Jordan e Jane Monheit. Agora, no CD New York Notes (Savant), o pianista comanda um trio com Harvie S. (baixo) e Billy Mintz (bateria).

Em Remembering Miles, seu 24º registro como líder, o pianista-psicanalista Denny Zeitlin abre o programa com quatro inesquecíveis títulos do “livro” milesdavisiano: Solar (7m40), Dear Old Stockholm (6m), Stablemates (5m55) e Flamenco Sketches (9m) – os dois últimos lançados, respectivamente, nos antológicos álbuns Miles (Prestige, 1956), do quinteto do trompetista com o saxofonista John Coltrane, e Kind of Blue (Columbia, 1959), com o sexteto que incluía Coltrane e o pianista Bill Evans.

Na setlist desse recital solo de 2016, especial realce também para: duas versões (5m55 e 5m40) de Milestones, das quais a primeira daquele tema bop do pianista-compositor John Lewis, de 1947, quando Miles tocava com Charlie Parker; So near so far (4m25), que iluminou Seven Steps to Heaven, álbum do trompetista para a Columbia, de 1963; Lament (5m15), balada de autoria do saudoso trombonista J.J. Johnson.

O pianista Alan Broadbent, por sua vez, no registro em trio intitulado New York Notes, selecionou para recriar, com engenho e arte notáveis, quatro “gemas” dos tempos do bebop e um pouco além: Minority (8m20), do saxofonista Gigi Gryce (1925-83); Crazeology (5m10), do trompetista “Little” Benny Harris (1919-75); On a misty night (5m45), do grande Tadd Dameron (1917-65); 317 East 32nd Street (4m40), de autoria do genial pianista Lennie Tristano (1919-78), paráfrase de Out of nowhere.

No repertório do novo álbum de Broadbent há ainda dois clássicos do American songbookI fall in love too easily (7m10) e Fine and dandy (7m35). E três originais do pianista: Clifford notes (8m45), em memória do trompetista Clifford Brown; Waltz prelude (6m30), inspirado no Prelúdio, opus 28, nº8, de Chopin; Continuity (8m35).

(Faixa Stablemates, de Remembering Miles : soundcloud.com/sunnysiderecords/denny-zeitlin-stablemates)

(Samples de New York Notes em: www.deezer.com/en/album/90032092)


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