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Greve dos servidores

Novo grupo vocal lança ‘Royal Bopsters Project’

Quarteto London, Meader, Pramuk & Ross convida lendários experts na arte do vocalese

Crédito @Pixabay

vocalese, no jazz, não é a mesma coisa que o scat singing (vocalização onomatopaica, sem palavras, geralmente improvisada). O vocalese consiste na criação de letras para solos instrumentais gravados que ficaram famosos, e é a forma de expressão que teve como pioneiros os vocalistas da era do bebop King Pleasure, Eddie Jefferson e Jon Hendricks – este ainda vivo (e cantando!), com 94 anos. Foram eles e o também saxofonista James Moody que inspiraram conjuntos vocais jazzísticos de muito sucesso como o trio Lambert, Hendricks & Ross (1957-62) e o posterior Manhattan Transfer.

A boa novidade em matéria de jazz combo dedicado ao gênero é o quarteto formado por Amy London (soprano), Darmon Meader (tenor), Holli Ross (contralto) e Dylan Pramuk (baixo). Os mais conhecidos do novo grupo são os cinquentões London e Meader – este fundador, arranjador e ainda integrante do vitorioso New York Voices.

Trata-se de álbum fora de série, por registrar, também, uma reunião de cúpula com cinco legendários especialistas tanto dovocalese como do scat singing: o nonagenário Jon Hendricks; Mark Murphy, 83 anos; Annie Ross, 85, a voz feminina daquele célebre trio com Hendricks e Dave Lambert (1917-66); Bob Dorough, 91; Sheila Jordan, 86. Feitas as contas, a idade média dos ilustríssimos convidados chega a 87,8 anos.

Nesse registro sem precedente, os homenageados atuam em oito das 12 faixas.

Mark Murphy – o mais “moço” dos convidados do novo quarteto vocal – destaca-se como solista em quatro peças: On the red clay (5m30), com a mesma letra por ele escrita para o tema (Red clay) e o respectivo solo da clássica versão bop-funkdo trompetista Freddie Hubbard, gravada em 1970; Señor blues (4m50), o tema bop bem groovy da pena do pianista-compositor Horace Silver (1928-2014); Bebop lives (4m55), vocalização (com nova letra de Holli Ross) de Boplicity (Miles Davis-Gil Evans), uma das peças das sessões Birth of the Cool, com o noneto de Miles Davis (1949-50), que marcaram o nascimento do cool jazzBird chasing (4m10), basicamente Chasing the bird, de Charlie Parker, mas com lyrics de Amy London.

Quanto aos demais guests, Jon Hendricks aparece em Music in the air/Wildwood (4m35), original do saudoso sax alto Gigi Gryce (1925-83); Sheila Jordan comanda uma versão sussurrante de Peace (4m55), de Horace Silver, que contém ainda um solo do baixista Cameron Brown; a voz de Annie Ross continua sensual, insinuante, em Music is forever (6m20); Bob Dorough também não está nem aí para a idade em Nothing like you has ever been seen before (4m20), escrita por ele e por London.

As quatro faixas em que o novo quarteto mais seção rítmica atuam sem os convidados são, Basheer, the snake and the mirror (5m55), Invitation (6m20), Just step right up (6m10) e Let’s fly (3m45). Os instrumentistas que interagem com os vocalistas são – além do já citado Cameron Brown – Steve Williams (bateria), Steve Schmidt (piano), Roni Ben-Hur (guitarra) e Steve Kroon (percussão).

Para concluir, sublinhe-se que o álbum não é recomendado, somente, por ser um tributo aos “Royal bopsters”. O grupo vocal London, Meader, Pramuk & Ross tem engenho e arte no elevado nível do Manhattan Transfer.

Ouça samples do CD aqui

Publicada originalmente no JB Online.


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