Lifestyle

Justiça em série: Os advogados que me cercam

A nova coluna do JOTA sobre seriados no mundo do direito

Divulgação/Universal

Caso fizessem um seriado sobre a minha vida, ele provavelmente começaria no dia em que preenchi o formulário para o vestibular. Estava lá, tudo certo. Claro que eu faria Direito. Meu pai é advogado, meus melhores amigos do colégio também seriam advogados. Nada mais natural. Foi então que algo aconteceu e, num impulso, anotei no documento: Jornalismo.

E, como o mundo dá voltas em círculos, o Direito nunca se afastou de mim.  Afinal, como jornalista, comecei a me especializar em seriados de tevê bem na época em que os tribunais fictícios reinavam nos Estados Unidos. E assim, Law & Order (em suas três versões), Ally McBeal, The Practice e Boston Legal (o trio de David E. Kelley) eram paradas obrigatórias nos meus dias, lá no começo dos anos 2000.

E assim, grudada na tela, fui vendo o quanto o mundo nos tribunais era fascinante – e o quanto eu tinha feito a escolha certa. Na ficção, o Direito me cabia bem. Na vida real, certamente, não conseguiria encarar a profissão de advogada, procuradora, juíza, promotora ou defensora pública. Tampouco tenho dom para ser delegada ou trabalhar com perícia. E nem precisava. O universo legal, além da tevê, seguia me rondando: meus amigos se formaram, meu irmão caçula também se tornou advogado e casei-me com um advogado – que poderia trabalhar com a detetive Olivia Benson (Mariska Hargitay), de Law & Order: Special Victims Unit.

 

Mariska Hargitay na pele da detetive Olivia Benson (Crédito NBC Photo/Justin Stephens)
Mariska Hargitay na pele da detetive Olivia Benson (Crédito NBC Photo/Justin Stephens)

Durante esse percurso, os advogados da ficção também continuaram presentes. Uns ficaram pouco, como Eli Stone e Harriet Korn (Jonny Lee Miller, em Eli Stone, e Kathy Bates, em Harry’s Law); outros viraram da família, como Jane Bingum (Brooke Elliot, em Drop Dead Diva). Alguns chamaram a atenção pela dureza, como Patty Hewes (Glenn Close, em Damages); e uns me pegaram pela emoção, como Denny Crane e Alan Shore (William Shatner e James Spader, em Boston Legal).

Hoje, ao escrever esta coluna, sinto-me totalmente Alicia Florrick (Julianna Margulies, em The Good Wife). Após passar quase três anos dedicados exclusivamente à família, volto ao trabalho fora de casa. Dá um frio na barriga. Há uma cobrança interna, um medo de não atender às expectativas – principalmente à minha expectativa. Tudo parece novo, mesmo tendo feito isso por 12 anos na minha vida profissional. E bate uma insegurança, afinal, há muito sangue novo no mercado.

O alento é que Alicia conseguiu. The Good Wife está em sua sexta temporada nos Estados Unidos (no Brasil, o Universal acabou de exibir a quinta temporada e ainda não há previsão de estreia do sexto ano) e isso, no mercado competitivo das séries, é uma grande conquista. Mais do que longevidade, a série tem boas críticas. O público adora, os profissionais do Direito aprovam. Julianna Margulies deu a dose certa de seriedade e leveza à sua Alicia. Assim quero levar esta coluna: com a seriedade que o tema pede, mas com a leveza da ficção.

Agora, para celebrar a estreia, vou me refestelar numa poltrona, pegar um uísque e acender um charuto na sacada bem à moda  Denny Crane e Alan Shore. Daqui a 15 dias nos falaremos novamente. Até lá!

* Jornalista desde 1998 e por mais de 10 anos cobriu o mercado de TV por assinatura no jornal O Estado de S. Paulo. Especializou-se em séries de TV e assinou a coluna Fora de Série, publicada semanalmente.


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