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Greve dos servidores

Justiça em série – Como se livrar de um assassinato

Com um Emmy no currículo, começa nos EUA a segunda temporada de “How to Get Away With Murder”.

HOW TO GET AWAY WITH MURDER - "Smile or Go to Jail" - Annalise helps Paula Murphy (Ana Ortiz), a suburban soccer mom, get released from jail after she was arrested for a misdemeanor, but just as she's about to walk free, she's arrested again by the FBI in connection for felony murder. Annalise and her students are tasked with proving her innocence which will depend on the testimony from another suspect in the case. Meanwhile, the Middleton University president asks Annalise to represent Griffin O' Reilly, the star quarterback who has also been linked to Lila's disappearance but she's unable to make a decision until she knows that Sam (Tom Verica) wasn't involved in the case. In flash forwards, more clues are revealed and we discover someone else was also there besides the students during the night of the murder, on "How to Get Away with Murder," THURSDAY OCTOBER 9 (10:00-11:00 p.m., ET) on the ABC Television Network. (ABC/Mitch Haaseth) CHARLIE WEBER, LIZA WEIL, KARLA SOUZA, MATT MCGORRY, ALFRED ENOCH, JACK FALAHEE, AJA NAOMI KING

Há séries que começam bem, com narrativa estruturada, fatos críveis, personagens fortes. Quando é para ter suspense na trama, um certo mistério em torno dos dramas pessoais de cada envolvido é sempre bem-vindo. O difícil, no caso desses seriados, é manter a coerência e a qualidade do produto, sem cair na banalidade. “Revenge”, por exemplo, começou muito bem, mas acabou se tornando uma espécie de série sobre pobres meninos ricos. Por outro lado, “Damages” se mostrou forte até o fim, por mais complicada que fosse sua trama. Tudo bem que não dá para comparar Emily VanCamp, a protagonista de “Revenge”, com a veterana Glenn Close, de “Damages”, mas não é só na atuação que uma série difere da outra. Para fazer suspense é preciso saber como criar tensão e, principalmente, saber a hora de parar e encerrar a trama.

Neste momento, “How to Get Away with Murder” está com tudo. Viola Davis acaba de vencer o Emmy na disputadíssima categoria de Melhor Atriz em Série Dramática. Prêmio merecidíssimo, diga-se bem. Foi a primeira protagonista de uma série de Shonda Rhimes (de “Grey’s Anatomy”, “Private Practice”, “Scandal”) a receber a honraria. E é a melhor personagem criada pela autora desde sempre.

A professora Annalise Keating, nascida Anna Mae, nega sua origem pobre, sua infância de abusos, e se torna a ambiciosa defensora que faz de tudo para livrar seus clientes da cadeia. Nem sempre seus métodos são legítimos, o que faz com que ela envolva todos à sua volta em um perigoso jogo. “How to Get Away with Murder” começa muitíssimo bem. Os primeiros episódios da temporada de estreia são de tirar o fôlego, com ganchos certeiros que estimulam totalmente o telespectador a querer mais e mais episódios. Shonda Rhimes apelou para o recurso narrativo visto em “Damages”: tudo começa com a cena de um assassinato, que volta sempre em forma de flashback revelando, aos poucos, os envolvidos na morte e a identidade do cadáver. No caso de “How to Get Away with Murder”, são dois assassinatos misteriosos já no primeiro capítulo.

Ao longo dos episódios até a revelação do morto, o público vê um tabuleiro de xadrez com jogadas bem pensadas. A dança é boa e sincronizada. Porém, após a revelação da motivação do crime, tudo começa a se tornar um pouco turvo. Os dançarinos já não coordenam tão bem seus passos, e o xeque-mate parece cada vez mais distante. E, quanto mais a trama se enrosca, mais Viola Davis faz a diferença. Ela vale cada voto que teve para ganhar o Emmy. O público acompanha e acredita no desespero de Annalise frente ao quase inevitável desfecho da primeira temporada: a imagem manchada, o cerco se fechando, as máscaras caindo.

Por mais que a trama não pareça mais crível e tudo tenha se tornado tão irreal como em “Scandal”, Viola Davis dá credibilidade ao produto. Eu mesma pensei: “Tá, vou dar mais uma chance a Shonda Rhimes e ver o que ela trará para a segunda temporada.” O primeiro episódio do segundo ano de “How to Get Away with Murder” começou na semana passada nos Estados Unidos. Isso foi uma semana depois de Viola ganhar o Emmy. A estreia foi ótima de público, claro, já o enredo…

A segunda temporada começa com toda a confusão que foi armada no ano anterior.

ATENÇÃO, HAVERÁ ALGUNS SPOILERS A SEGUIR E, SE NÃO QUISER SABER, PARE A LEITURA AQUI.

Há os alunos assustados com a possibilidade de serem pegos pelo assassinato de Sam; a própria Annalise tensa na tentativa de livrar o amante da acusação que ela mesma forjou; um novo corpo para esconder; e uma nova paixão – ou seria marionete – para a advogada. O segundo ano de “How to Get Away with Murder” segue enfatizando a relação de Annalise, uma mulher que sofreu abuso sexual na infância, com o sexo.

O primeiro episódio da nova temporada não é ruim. Ele prende a atenção, gera uma vontadezinha que quero mais, mas nada que cause comichão. Ainda quero saber o que acontecerá na vida de Annalise; entender qual é o papel de Frank (Charlie Weber) no escritório; sacar qual é a natureza da relação entre a defensora e sua associada Bonnie (Liza Weil); além de, principalmente, ver se essa trama que ficou toda emaranhada voltará a ter nexo. Por mais que o caminho esteja tortuoso, ainda boto fé em “How to Get Away with Murder” e, mais do que isso, acredito em Annalise, graças à brilhante atuação de Viola Davis. Espero que Shonda Rhimes não faça com que a boa atriz tenha de se rebaixar por causa de um roteiro desestruturado.

A segunda temporada de “How to Get Away with Murder” ainda não tem estreia prevista no Canal Sony, mas deve ficar somente para 2016. Os 15 episódios da primeira temporada estão em cartaz no Netflix.


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