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Joey Alexander, um menino genial

Pianista indonésio autodidata de 11 anos recebeu elogios de Wynton Marsalis

No programa do Java Jazz Festival de 2014, realizado em Jacarta, lia-se a seguinte informação sobre um pianista chamado Joey Alexander, nascido e criado lá na Indonésia:

“Nascido em 2003 na cidade  de Denpasar-Bali, Joey foi apresentado ao jazz muito cedo (pelo pai). Os talentos musicais de Joey ficaram óbvios quando ele começou a aprender piano, aos seis anos de idade, passando a tocar em público depois de umas poucas aulas. Um ano depois, descobriu e assimilou, rapidamente, a linguagem do jazz. Seus pais levavam-no a jam sessions, nas quais músicos de jazz de Bali muito mais velhos convidavam o garotinho para com eles tocar. Sua intuição musical cresceu e, quando completou oito anos, a família resolveu mudar-se para Jacarta, a fim de que Joey pudesse adquirir mais experiência. Logo em seguida, o garoto foi convidado pela Unesco para tocar piano solo para o legendário Herbie Hancock. A experiência foi marcante, e Joey passou a dedicar-se a explorações mais complexas da arte de tocar jazz. Ele, certamente, inclui Thelonious Monk, Bill Evans, Herbie Hancock, Chick Corea, Brad Mehldau e Robert Glasper entre os pianistas que mais o marcaram”.

No ano passado, antes do seu 11º aniversário, o fenômeno de Bali – praticamente autodidata – começou a se apresentar mundo afora. Seudebut nos Estados Unidos foi no Lincoln Center de Nova York – a “casa” de Sua Excelência Wynton Marsalis, que dele disse: “Joey é um pequeno gênio de apenas 10 anos, tocando com profundidade emocional acima da de um jovem adulto”.

Joey Alexander conseguiu dinheiro e o visto “0-1” (para estrangeiros de “extraordinária habilidade”), e vai radicar-se em Nova York, na condição de músico profissional. E já tem pela frente uma agenda de dar inveja a muitos jazzmen veteranos.

No dia 14 de abril, a gravadora Motéma – selo de estrelas do piano do brilho de Randy Weston, Geri Allen e Monty Alexander – lançará, nas lojas virtuais, o primeiro CD do garoto-prodígio de 11 anos, intitulado My favorite things.

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No dia 1º de agosto, Joey Alexander será uma das principais atrações do Newport Jazz Festival – a mais antiga (61 anos) e mais famosa celebração jazzística dos Estados Unidos (e do planeta). O menino estará à frente do seu trio (Sammy Miller, bateria; Russell Hall, baixo) no mesmo palco do Fort Adams State Park no qual vão se apresentar, entre outros, no mesmo dia, os seguintes ases e conjuntos: Cassandra Wilson; Maria Schneider e sua orquestra; Pat Martino Organ Trio; a vocalista Cécile McLorin Salvant; o grupo Made in Chicago do baterista Jack DeJohnette; a malabarista do piano Hiromi; os quintetos dos eminentes Kenny Garrett (sax alto) e Tom Harrell (trompete).

O menino da Indonésia não é o primeiro prodígio a impressionar músicos e jazzófilos nas décadas mais recentes.

O extraordinário guitarrista francês-cigano Biréli Lagrène, 46 anos, já tocava, aos sete anos de idade, peças do seu ídolo Django Reinhardt (1910-1953), e gravou o primeiro disco como líder (Routes to Django, Jazzpoint) quando tinha 13. O sax alto italiano Francesco Cafiso, 25, lançou o seu primeiro álbum (Concerto for Michel Petrucciani, Philology) no seu 15º aniversário, e foi o primeiro jazzman europeu a se apresentar no Dizzy’s Club, do Lincoln Center de Nova York.

Em 2005, a Sony Classical promoveu o excelente CD Eldar, do pianista Eldar Djanrivov, então no seu 18º ano de vida. Ele foi descoberto nos confins da ex-União Soviética (Quirguistão), quando tinha 10 anos, por um americano rico, que o levou com a sua família para os Estados Unidos. Eldar começou a ficar famoso aos 12 anos, quando foi apresentado no programa de Marian McPartland na NPR (National Public Radio).

Porém, o que é particularmente impressionante na intimidade do garoto-prodígio Joey Alexander com o piano jazzístico é mesmo aquilo que Wynton Marsalis qualificou de “profundidade emocional”. E ainda a facilidade com que “destila” a substância do legado dos grandes mestres do jazz moderno – pianistas-compositores como Thelonious Monk, Chick Corea, Herbie Hancock, Horace Silver, Brad Mehldau e McCoy Tyner. E de “monstros sagrados” não-pianistas, como John Coltrane.

O menino de 11 anos assim respondeu, em recente entrevista, à pergunta sobre o seu fascínio pela composição Giant steps, de Coltrane: “Toquei Giant steps pela primeira vez quando tinha oito anos. Eu sei que é um tema importante, e amo a progressão. Gosto muito da música dele”.

Publicada originalmente no JB Online

 


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