Jazz

discípulos estilísticos

Imaginary Friends: Ralph Alessi e Ravi Coltrane

Trompetista e saxofonista lançam novo álbum em quinteto, com nove peças de Alessi

Foto: divulgação

Mais uma vez o tema desta coluna é a arte de Ralph Alessi, 55 anos, californiano-novaiorquino, filho do pistonista clássico Joe Alessi e da soprano Maria Leone (1928-2012), que foi estrela da Metropolitan Opera House. Ele é o mais admirado dos discípulos estilísticos de três grandes trompetistas do jazz contemporâneo, de inspirada poética musical, e que – by the way – não nasceram nos Estados Unidos: o italiano Enrico Rava, ainda ativo aos 79 anos; o polonês Tomasz Stanko (1942-2018); o canadense-britânico Kenny Wheeler (1930-2014).

Agora, no seu terceiro álbum para o refinado selo ECM (cujo lema é “The most beautiful sound next to silence”) o trompetista reencontra um de seus partnerspreferidos, o também afamado saxofonista Ravi Coltrane, filho do glorificado John Coltrane (1926-1967) e da pianista-harpista Alice McLeod. Os dois já vinham fazendo sucesso, juntos, em recentes turnês pela Europa, à frente do quinteto que batizaram de This Against That, completado por Andy Milne (piano), Drew Gress (baixo) e Mark Ferber (bateria).

O título do recém-lançado CD desse combo é Imaginary Friends, uma das nove composições assinadas por Alessi que constituem a setlist da sessão de mais de uma hora, na qual o líder e seus associados equilibram melancolia e alegria, introversão e extroversão. Mas sempre com muita classe e nenhum exibicionismo.

A faixa-título, de seis minutos, é introduzida pelo arco do baixista Gress com pontuações dos pratos de Ferber, e desenvolvida em andante, numa especulativa troca de ideias entre o trompetista e o sax tenor de Ravi. Oxide (5m40) e Around the corner (4m) têm o mesmo andamento e o mesmo clima divagante. São momentos de delicada musicalidade em contraste com as duas peças mais longas do novo álbum: Iram Issela (9m45) e Melee (10m25).

Iram Issela é Mari Alessi (nome da filha do trompetista) ao contrário. O líder começa a interpretar a composição em fogo brando, numa meditação de mais de três minutos, “passa a bola” para o pianista Milne, e este, por sua vez, faz a ponte para um longo e intenso solo de Ravi Coltrane, com o emprego daquelas suplicantes sheets of sound típicas da arte do seu pai. Na agitada e envolvente Melee, levada em ritmo dançante, Ravi troca o sax tenor pelo sax soprano.

Improper authorities (6m05) e Fun room (8m25) são também muito cativantes e swinging, sobretudo a primeira, marcada por um ostinato provido pela seção rítmica sobre o qual divagam os dois principais solistas.

Como sintetizou muito bem o crítico e músico Filipe Freitas (site Jazztrail), “o arco narrativo metódico de Imaginary Friends faz desse álbum uma coleção excepcional de apaixonantes e cintilantes tone poems nos quais brilha a personalidade musical de Alessi”. 

(Samples de Imaginary Friends em: www.prostudiomasters.com/featured/genre/jazz/new#quickview/album/29236)


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