Lifestyle

Greve dos servidores

Café sem cafeína, o preço alto para pouco resultado

Descafeinado, o café para quem tem resistências à cafeína

Rodrigo Jorge

Outro dia, estava numa cafeteria em Brasília, e escutei a mãe pedir ao barista, uma xícara de café descafeinado. Curioso, o filho – um serelepe menino aparentando dez anos, estudante de um renomado colégio público – perguntou: “mãe, café sem cafeína é é igual a cerveja sem álcool?”

Fui à embalagem e a indústria colocou lá: “Blend de grãos selecionados com 0,1% de cafeína”. Que precisão, pensei. Eu tinha aprendido que para cada tipo de café, há influências diferentes da quantidade de cafeína na xícara que tomamos diariamente.

O café Robusta tem mais cafeína que o Arábica, mas também é bom lembrar que outras características precisam ser levadas em conta, na hora de terminar a quantidade de cafeína no café: quantidade de água, tempo de contato do pó de café com a água, forma como a moedagem é feita – se mais fina ou mais espessa – e por aí vai. Então, a primeira conclusão é que é difícil calcular a quantidade exata de cafeína numa xícara de café. Para início de conversa já é bom ir definindo: numa xícara de espresso tem menos cafeína do que no café coado, passado em casa. O que determina, nesse caso, a intensidade da cafeína é que no espresso a água fica menos tempo em contato com o pó que no café caseiro.

Descafeinado da química a métodos orgânicos – No início do século 20, o químico alemão Ludwig Roselius estudou, estudou… Tomou umas tantas xícaras de café, cafeínado, e chegou a uma importante conclusão: o cloreto de metileno (CH2Cl2), quando entrava em contato com o grão de café, ajudava a dissolver substâncias e fazer com que a cafeína fosse quase que totalmente retirada, sem interferir muito no sabor. Passados 80 anos, os cientistas chegaram à conclusão que o cloreto de metileno era cancerígeno e a descoberta de Roselius evaporou-se.

Hoje, a indústria usa métodos mais orgânicos. Um deles, é quando o café, ainda verde, é lavado com água quente, com compostos químicos do próprio café. Com isso, a cafeína se dissolve na água que é retirada.

Entidades certificadoras da América do Norte e da Europa adotam padrão diferenciado para cassificar um café descafeinado. Para os americanos, o processo só é reconhecidamente válido se o grão de café tiver mais de 97% da cafeína removida. Na Europa, os café só conseguem rótulo de descafeinado quando os grãos estiverem 99,9% sem cafeína. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina, no regulamento 277, que “para que um produto seja considerado descafeinado, o teor de cafeína deve ser menor ou igual a 0,1% (g/100g)”.

Conclusão – É muito barulho por quase nada. A diferença da quantidade de cafeína, numa xícara de café – descafeinado ou não – é insignificante. E, considerando que o preço do descafeinado é quase o dobro do café com cafeína, o método tradicional sai ganhando. E fico com o Rodolfo, o menino que estava com a mãe na cafeteira, a não ser que você tenha intolerância com a cafeína – como eu tenho com álcool – siga tomando café cafeínado. Um bom café!

Café & Conversa


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito