Jazz

obra de fôlego

A Swing Sympohny de Wynton Marsalis

A obra do compositor-trompetista foi gravada ao vivo com a St. Louis Symphony e a Jazz at Lincoln Center Orchestra

Foto: divulgação

O trompetista e compositor Wynton Marsalis vem de lançar, pela etiqueta Blue Engine Records, a sua Swing Symphony. Tal como registrada ao vivo, há pouco mais de um ano, em concerto que juntou a Jazz at Lincoln Center Orchestra e a St.Louis Symphony Orchestra, sob a regência do maestro David Robertson.

Esta é a terceira obra de fôlego do grande Marsalis “combinando dois polos musicais aparentemente opostos – música clássica e jazz – num todo swinging”, como assinala o texto de apresentação do álbum. Em 1997, ele se tornara o primeiro jazzman a receber o Prêmio Pulitzer da Música por conta de Blood on the Fields – um “oratório jazzístico” de mais de duas horas editado pela Columbia.

Swing Symphony é dividida em sete movimentos, com duração total de pouco mais de uma hora. E busca refletir o impacto do jazz na cultura norte-americana, desde suas raízes nas marching bands de Nova Orleans, passando pela época das orquestras swing, até o espocar dos conjuntos boppers novaiorquinos.

Segundo o próprio autor, a sua sinfonia declara: “Não temos de segregar nós mesmos de quem somos. Nós somos Winslon Homer. Nós somos Walt Whitman. Nós somos William Faulkner. Nós somos George Gershwin. Nós somos Duke Ellington. Nós somos Mary Lou Williams. Nós somos Louis Armstrong. É isso que todos nós devemos abraçar”.

E não há dúvida que o compositor-trompetista não deixa de ter como fontes de inspiração, além dos acima mencionados, outros grandes compositores que combinaram a disciplina formal da chamada música erudita com os sons, a harmonia e o ritmo jazzísticos, como Leonard Bernstein e Aaron Copland. E até IgorStravinsky, que dedicou o seu Ebony Concerto (1945) a Woody Herman.

Os sete movimentos da Swing Symphony têm subtítulos bem indicativos: St. Louis toNew Orleans (7m50); All-American pep (10m40); Midwestern moods (12m);Manhattan to LA (10m15); Modern modes and the midnight moan (7m10); Think-Space: Theory (6m50); The low down (Up on high) (7m35).

As seções de cordas e palhetas da Sinfônica de St. Louis e os 15 jazzmen da big banddo Lincoln Center (mais de 50 músicos) atuam em sintonia – o que não exclui contrastes programados – na interpretação das partituras do compositor Wynton Marsalis (que faz parte também da seção de metais da orquestra). Mas há sempre espaços para solos (aparentemente improvisados) dos membros da big band. Por exemplo, no animado All-American pep – o segundo e mais longo movimento da sinfonia – há substanciais intervenções individuais dos saxofonistas e do clarinetista(Victor Goines, Ted Nash, Sherman Irby ou Walter Blanding).

(Samples da Swing Symphony em:

wyntonmarsalis.org/discography/title/swing-symphony)


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito