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Maranhão deve ficar pra evitar guerra na Câmara e Temer aprovar projetos

Preocupados em assegurar que a Câmara dos Deputados inicie de fato as atividades legislativas em 2016 e passe a trabalha “em pleno vapor” a partir da próxima semana, emissários do novo Governo articulam enterrar de vez os debates sobre a deposição de Waldir Maranhão (PP-MA) do comando da Casa Legislativa bem como qualquer proposta de […]

Brasília - Presidente interino da Câmara, Valdir Maranhão, durante pronunciamento na sala de reuniões da presidencia da Casa (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Preocupados em assegurar que a Câmara dos Deputados inicie de fato as atividades legislativas em 2016 e passe a trabalha “em pleno vapor” a partir da próxima semana, emissários do novo Governo articulam enterrar de vez os debates sobre a deposição de Waldir Maranhão (PP-MA) do comando da Casa Legislativa bem como qualquer proposta de antecipação das eleições para a sucessão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como titular da vaga.

A movimentação tem algumas justificativas. Protegido pelo regimento interno – que determina que a vacância de cadeiras da Mesa Diretora só é declarada em caso de renúncia, morte ou cassação de mandato – e pelo estatuto interno do PP – que estabelece um processo longo para expulsão da legenda – Maranhão faz chegar aos adversários a informação de que não vai ceder à pressão e fica na 1a vice da Câmara. “Não vou renunciar, temos que administrar o país”.

A interlocutores do presidente em exercício, o deputado fez chegar o discurso de que “temos que administrar o país” e que colocará “qualquer projeto que ajude o Brasil a sair do caos econômico” em votação para deixar claro que não será nenhum empecilho para aprovação do pacote de projetos, medidas provisórias e reformas estruturais que deve ser encaminhado à Câmara na esteira da busca pela recuperação da economia. Mais que isso, Maranhão manda o recado de que “é a única solução imediata” para Temer, já que uma disputa político-jurídica por sua deposição paralisaria por completo as atividades da Câmara.

E, se num cenário improvável, esse processo de deposição via expulsão do PP fosse acelerado, não há garantias de que Temer conseguiria emplacar um nome seu para a presidência da Câmara. Isso porque, seria preciso uma articulação de bastidor silenciosa para controlar as ambições já declaradas – Rogério Rosso (PSD-DF) e Antonio Imbassahy (PSDB-BA) já foram citados como nomes para um mandato tampão de Cunha – de forma que não houvesse rachas na nova base.

O silêncio seria fundamental ainda por outra razão: um envolvimento direto de Temer numa disputa pela deposição de Maranhão ou de declaração de vacância e consequente eleição de sucessor para Cunha seria um sinal claro de afastamento de Temer do presidente afastado da Câmara. E Cunha afastado e enfraquecido segue articulando com os aliados mais leais uma forma de controlar o plenário da Câmara para evitar sua cassação. E Temer não quer se indispor com Cunha.

Com tantos óbices, a interpretação de que talvez Maranhão seja mesmo a opção mais viável de imediato cresce. E já ganha adeptos abertos. Primeiro secretário da Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), mudou radicalmente de conduta ao longo da semana. Depois de ser um dos membros da Mesa Diretora a exigir a renúncia de Maranhão, agora que diz que uma briga interna na Câmara atrapalharia o país.

“Acho que é assunto superado. Temos um novo Governo e a Câmara e o Senado tem que estar a pleno vapor. Conversei com o presidente (Temer), com o Meirelles e ministros. Muita coisa vem pra cá. Essa idéia de judicializar a permanência ou saída do vice presidente Maranhão com processo de cassação ou projeto de resolução, para os partidos derrubarem ele à força porque tem seus candidatos, nesse momento, é falta de brasilidade”, afirma.

Nos bastidores, há uma interpretação para essa mudança na conduta e no discurso de Mansur. A primeira é a preocupação em evitar que o PRB ao liderar o movimento contra Maranhão acabe por se transformar no “pai da paralisia” da Câmara. O presidente do PRB, Marcos Pereira, que articulou a adesão ao impeachment pessoalmente quando o tema estava na Câmara, foi nomeado ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, área que tem interesse em aprovar o prometido pacote econômico.

Em segundo lugar, é a possibilidade de exposição no comando da Câmara. Isso porque Mansur é o primeiro oficialmente a ser chamado formalmente a presidir sessões na ausência de Maranhão e do segundo vice-presidente da Casa, Giacobo. E fora das sessões, pode se transformar na eminência parda de Maranhão nas articulações pré-votação, já que é um deputado famoso por ser um conhecedor do regimento.


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