Legislativo

Previdência

Reforma só avança quando ‘Maia e Bolsonaro fumarem juntos o cachimbo da paz’

Delegado Waldir, líder do PSL, cobrou mais empenho de Bolsonaro na defesa da reforma da Previdência

Bolsonaro Previdência
Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara, afirma que o partido fechou questão sobre a Reforma da Previdência / Crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Depois da troca de farpas entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o deputado Delegado Waldir (PSL-GO), líder do partido do governo na Casa, afirmou que o nome do relator da Reforma da Previdência na Comissão da Constituição e Justiça (CCJ) só será definido quando os chefes dos dois poderes “fumarem juntos o cachimbo da paz”.

“A gente espera que essas duas pessoas fantásticas que são Rodrigo Maia e Bolsonaro soltem a fumacinha da paz e realmente passem a dialogar, para que a reforma avance nesta Casa”, disse o deputado nesta segunda-feira (25/3).

Na prática, os integrantes da legenda de Bolsonaro decidiram suspender a indicação do relator da matéria no colegiado até que o governo entre em campo para melhorar a sua articulação política com o Congresso.

Waldir afirma que o Executivo não tem tido habilidade para formar uma base sólida na Câmara, o que põe em risco a aprovação das mudanças na aposentadoria. Além disso, ele cobra mais empenho de Bolsonaro na defesa da reforma.

“O presidente tem que ser mais incisivo sobre esse tema nas redes sociais, nas entrevistas”, diz.

Ele acredita que não há consenso para votar a reforma nem na própria bancada do PSL porque há uma insatisfação em relação à Previdência dos militares.

Waldir relata que, no entendimento de boa parte dos deputados do partido de Bolsonaro, as Forças Armadas deveriam dar a mesma cota de sacrifício que as demais categorias, o que está longe de ocorrer no projeto apresentado pelo Palácio do Planalto.

Outra crítica do líder do PSL na Câmara é em relação ao discurso de Bolsonaro de separar os parlamentares entre os representantes da velha e da nova política.

“Acho que há um grande equívoco do presidente e de ministros de falar em nova e velha política. Temos que falar da politica. São 513 deputados e 81 senadores eleitos há poucos dias. […] No mundo todo o parlamento quer participar do governo. Apenas os militares conseguem indicar pessoas qualificadas para entrar no governo? Quero ajudar a governar, assim como os demais parlamentares do PSL. Ninguém vai colocar faca no pescoço do presidente, não podemos criminalizar parlamento. Eu conheço pessoas com mestrado, doutorado, que poderiam fazer parte do governo”, diz.

Enquanto a base do governo se desentende, quem aproveita é a oposição. Líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) ironizou a fala do Delegado Waldir e disse que, diante da desorganização dos governistas, “sequer precisa fazer oposição”.


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