Legislativo

CPI da Pandemia

CPI inclui Onyx, Osmar Terra e Luciano Hang como investigados

Decisão do relator Renan Calheiros menciona ainda outras seis pessoas

Presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL) / Crédito: Pedro França/Agência Senado

O relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL), incluiu nesta quarta-feira (1/9) o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) e o empresário Luciano Hang na lista de pessoas acusadas de promover atos ilícitos. Outras seis pessoas também foram incluídas. Até o momento são investigadas pelo colegiado 29 pessoas.

Onyx foi incluído sob a acusação de ter apresentado uma nota fiscal falsa da Precisa Medicamentos diferente daquela apresentada pelo servidor do Ministério da Saúde, Luís Cláudio Miranda, que denunciou a tentativa de venda superfaturada da vacina Covaxin ao Ministério Público Federal (MPF). Osmar Terra foi incluído por ser um dos “gurus” do gabinete paralelo que aconselhou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a defender o uso de medicamentos ineficazes para o tratamento da Covid-19, além de desaconselhar medidas recomendadas por médicos sanitaristas como o isolamento e distanciamento social como forma de prevenir a doença respiratória. Já Luciano Hang foi incluído por supostamente financiar o movimento contra as medidas adotadas por governadores e prefeitos para conter o avanço do vírus.

Os outros investigados são o diretor-executivo da Davatti Medical Supply, Cristiano Machado; o policial militar Luiz Paulo Dominguetti – que se apresentava como vendedor da Davatti; a diretora da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades; a servidora do Ministério da Saúde, Regina Célia – fiscal do contrato da Precisa; o coronel da reserva Hélcio Bruno – presidente do Instituto Força Brasil, e o ex-diretor de Programa do Ministério da Saúde, Marcelo Pires, que atuaram como lobista da Davatti e da Precisa.

O anúncio aconteceu durante o depoimento do motoboy da VTCLog, Ivanildo Gonçalves da Silva, que sacou mais de R$ 4,7 milhões em favor da empresa nos últimos anos.

Inicialmente previsto para falar nesta última terça-feira (31/8), Ivanildo decidiu falar à CPI após perceber que não teria mais “sossego” se não comparecesse ao colegiado. A sua presença aconteceu após o empresário Marcos Tolentino, que tinha o depoimento agendado para esta quarta, se internar no Hospital Sírio-Libanês para tratar de sequelas da Covid-19.

Tolentino é tido como o “verdadeiro dono” do FiB Bank, principal avalista nos negócios da Precisa junto ao governo federal. “Eu decidi assim no momento que, tipo assim, estava a mídia e todo mundo me perturbando e eu senti que deveria vir para botar um ponto final nessa história. Porque, no começo, até então, eu não queria conversar com ninguém. Mas, de repente, [repórteres] começaram o tempo todo [a irem] na minha casa, [e tiraram o] meu sossego”. Ele negou ter sido pressionado pela empresa para evitar comparecer à CPI nesta terça. E afirmou que a VTCLog o deixou bem à vontade para vir, ou não.

A VTCLog é apontada pelos senadores da CPI como uma empresa parceira da Precisa e do ex-diretor do Departamento de Logística (Delog) do Ministério da Saúde, Roberto Dias, acusado de ser o operador de um suposto esquema de corrupção. Os senadores acreditam ainda que Dias seja o interlocutor do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara e ex-ministro da Saúde durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Questionado sobre a imagem que mostra ele no banco no mesmo dia em que foi paga uma fatura de Roberto Dias pela VTCLog, Ivanildo afirmou que não sabia que tinha feito um serviço bancário ao ex-diretor do Delog. O motoboy contou ainda que nunca esteve com Roberto Dias. “Eu não tenho conhecimento. Eu não me lembro. Não é questão de saber ler. É questão de pegar o serviço e executar.”, falou o motoboy à CPI.

Para o senador Renan, o depoimento desta quarta não acrescentou “muito” às investigações, “mas também não retira nenhuma das hipóteses. Pelo contrário, consubstanciou várias”, avaliou.

Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou querer ouvir os gerentes dos bancos onde o motoboy sacou grandes volumes de dinheiro. Sobre esse assunto, Ivanildo disse que sempre fez esses serviços na agência do aeroporto de Brasília da Caixa Econômica Federal.

Indagado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), respondeu que os saques eram sempre realizados na Caixa e os pagamentos de boletos, às vezes, numa agência do Bradesco do Setor de Indústria e Alimentos (SIA) da capital federal.

Ele informou também que em algumas oportunidades recebeu o dinheiro das “mãos” da colega e funcionária da VTCLog, Zenaide Silva, para pagar os boletos. Neste momento, Randolfe chamou atenção para o caso que alguns destes boletos eram para empresas e pessoas devedoras da VTCLog. “Isso a VTCLog tem que explicar. Só essa parte do depoimento ajudou a CPI a incriminar o sr. Roberto Ferreira Dias”, comentou.

Agenda da CPI

Nesta quinta-feira (2/9) a CPI terá o depoimento do empresário Marconny Albernaz, tido como lobista da Precisa Medicamentos. A vinda dele ao colegiado foi cercado de fatos curiosos. Anteriormente agendado para comparecer, o empresário informou que não estaria presente devido a problemas de saúde que o levaram a uma internação hospitalar.

Após reclamações dos senadores, que ameaçaram conduzi-lo “debaixo de vara” para forçá-lo a comparecer à CPI, o médico que atendeu Marconny Albernaz informou que retiraria o atestado do depoente por perceber que o paciente dissimulou durante consulta. “O médico que concedeu o atestado do Sr. Marconny Faria, entrou em contato conosco e disse que foi ele que concedeu o atestado, mas que notou uma simulação por parte do paciente e que deseja cancelar o mesmo. Com isso, amanhã receberemos o Sr. Marconny na CPI”, informou o senador Randolfe – vice-presidente da comissão.