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Após confusão sobre COAF, centrão quer que Bolsonaro enquadre membros do PSL

Decisão de senadores de tirar o COAF da Justiça mostra articulação falha de Bolsonaro – e não bastam pedidos genéricos

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Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O movimento de senadores para reverter a decisão da Câmara de retirar o COAF do Ministério da Justiça expôs, mais uma vez, a falta de liderança do presidente Jair Bolsonaro e da articulação política do Palácio do Planalto em relação aos seus aliados mais próximos no Congresso. Para deputados ouvidos pelo JOTA, está na hora de Bolsonaro botar em prática o perfil que lhe rendeu a eleição, de ser um homem duro e intransigente com traições, e passar a enquadrar deputados do seu partido.

A conclusão vem dos sinais trocados de governistas na negociação da MP 870/2019. Na avaliação do centrão, esses movimentos mostraram que a dificuldade do governo para construir uma relação harmoniosa com o Parlamento não se restringe, como dizem deputados do PSL, à barganha e à pressão para ganhar cargos e liberação de verbas do Executivo.

A retirada do COAF da Justiça foi negociada pela líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), com aval do chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O objetivo era chegar a um consenso com o centrão e preservar a MP da estrutura administrativa.

Os deputados do PSL, no entanto, ignoraram o acordo e fizeram questão de apresentar um destaque para retomar a discussão no plenário – e exigiram votação nominal como forma de expor colegas.

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia decidiu dar o troco e articulou uma votação nominal para mostrar sua força. O plenário referendou a volta do COAF para o Ministério da Economia, por 228 a 210 votos. Maia creditou o placar apertado ao trabalho político de Moro – e não ao movimento do PSL de chamar o povo às ruas para pressionar o Parlamento.

Sem tranquilidade

A articulação do governo achava que tinha superado a etapa de tramitação na Câmara – mais dura – e esperava tranquilidade na próxima semana na análise da tramitação da MP no Senado. Mas foi surpreendida pela decisão de senadores do PSL de reverter a decisão sobre o COAF. A ideia põe em risco a aprovação da medida, uma vez que qualquer alteração no texto feito pelo Senado obriga a matéria a retornar à Câmara – e a MP, que precisa ser votada até o dia 3 de junho, pode caducar.

Bolsonaro teve de entrar em campo e pediu aos aliados para aprovarem a MP como saiu da Câmara. O problema, segundo deputados, é que não basta ele fazer um apelo por meio das redes sociais. Bolsonaro precisa estar presente na articulação política do governo.

O problema, segundo deputados, é que não basta o chefe do Executivo fazer um apelo por meio das redes sociais e não estar presente na articulação política do governo.

Se Bolsonaro tivesse chamado os deputados e senadores de seu partido para uma reunião e avisado que não era para comprar briga com o centrão devido ao COAF, como sustentou na live, por exemplo, todo o desgaste teria sido evitado.

O mesmo ocorreu com a discussão sobre o destaque à MP 870 que limitava o poder de atuação de auditores da Receita Federal. O dispositivo, que nada tem a ver com a estrutura do governo, foi acrescentado pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e combatido duramente por parlamentares do PSL. Um telefonema de Bolsonaro a Bezerra para que evitasse misturar o debate sobre os auditores com a reforma administrativa também poderia evitar desgastes desnecessários.

A dificuldade do Executivo em controlar a reação de parlamentares do PSL em relação a acordos construídos por líderes do próprio partido emperram o andamento de matérias importantes na Casa. Talvez as falhas do Planalto não sujam suficientes para impedir a aprovação da reforma da Previdência, mas pautas importantes para o governo devem ficar pelo caminho.

 


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