Justiça

violência

Traficante Rogério 157 é condenado a 32 anos de prisão

Segundo a Justiça fluminense, ele praticou crimes de associação criminosa, tráfico de entorpecentes e corrupção ativa

Foto: Tânia Rego/Agencia Brasil

O traficante Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, foi condenado nesta terça-feira (24/07) a uma pena de 32 anos de prisão pelos crimes de associação para o tráfico de drogas, tráfico e corrupção ativa. A decisão foi da 40ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. Ele já está preso desde o ano passado.

“A culpabilidade do acusado ultrapassa, em muito, a normalidade do tipo. De acordo com os elementos de prova constantes dos autos o réu, durante o período constante da denúncia, ocupou a posição liderança na facção criminosa denominada Amigos dos Amigos – ADA, em atuação na favela da Rocinha, seguindo ordens emanadas pelo Antônio Francisco Bonfim Lopes, que se encontrava preso em Presídio Federal de segurança máxima em outro Estado da Federação”, diz a sentença.

Ao longo das investigações, que dizem respeito aos anos de 2013 e 2014, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e Polícia Civil descobriram que a facção Terceiro Comando Puro (TCP) negociou apoio da ADA.  O objetivo era combater o avanço da facção Comando Vermelho, que atacava outras áreas, uma vez que teve domínios retomados pela polícia de pacificação.

As investigações começaram a partir de um relatório de inteligência da Polícia Federal. Assim, o MPRJ conseguiu identificar 19 celulares que eram utilizados frequentemente pelos traficantes – e obteve pedido judicial para quebra dos sigilos. Os bandidos acreditavam que, por utilizar celulares black berry, estavam a salvo das interceptações.

“A interceptação de mensagens e dados dos aparelhos da marca BlackBerry foi fundamental para a comprovação da existência de uma associação criminosa ligada ao tráfico de drogas, na medida em que estas mensagens e dados revelaram uma organização complexa, formada por muitas pessoas, com organização empresarial, logística sofisticada e meticulosa divisão de tarefas, tudo em prol do comércio de drogas em larga escala e obtenção de vultosos lucros”, ressaltou a sentença.

O processo chegou a incluir 29 pessoas, mas as imputações feitas a elas foram sendo desmembradas até que, neste, restassem Rogério e José Carlos de Souza, conhecido como “Gênio”, e condenado por associação criminosa.

Operação Maioridade

O curso das investigações levou à deflagração da Operação Maioridade, que obteve informações sobre o funcionamento das facções Terceiro Comando Puro e Amigos dos Amigos.

“As interceptações deferidas por este juízo possibilitaram a demonstração das numerosas e capilarizadas associações criminosas, armadas, com divisão de tarefas, consoante prisões e apreensões de drogas sucessivas”, descreve a sentença.

De acordo com o documento, as interceptações produziram “vasto material probatório”, suficientes para a identificação “pormenorizada dos indivíduos associados para a prática de tráfico de entorpecentes, evidenciando ainda a nefasta corrupção de policiais militares lotados na UPP da Rocinha, para que facilitassem a atividade do tráfico nesta comunidade estrategicamente localizada na zona sul do Rio de Janeiro”.

Segundo a decisão, a associação criminosa, por meio do comércio ilegal de entorpecentes, de Rogério ficou “sobejamente comprovada” nos autos do processo.

“Ressalta-se que a associação criminosa atua com violência, empregando armas de fogo em suas atividades como forma de manter seu domínio sobre comunidade, intimidando moradores, facções rivais e as autoridades constituídas”, diz o documento.

Sobre a acusação de tráfico de entorpecentes, o juízo da 40ª Vara Criminal diz que Rogério mantinha o comando sobre a venda de todo o material entorpecente na favela da Rocinha, e atuava também na compra e distribuição da droga. A comunidade, segundo a decisão, funcionava “como importante entreposto de abastecimento da Zona Sul do Rio de Janeiro em função de sua posição estratégica na cidade”.

Corrupção ativa

A investigação também revelou que Rogério cooptou policiais corruptos, com pagamentos mensais, para avisá-lo sobre operações policiais em favelas dominadas pela facção.

“O acusado realizava o pagamento de propinas a agentes públicos para que os policiais fornecessem informações acerca da movimentação das tropas no interior da favela da Rocinha, facilitando o comercio ilegal de entorpecente e evitando enfrentamentos entre os policiais e membros da facção criminosa ADA – Amigos dos Amigos”, descreve a sentença.

Em um dos trechos, a decisão destaca passagem dos autos em que um indivíduo da associação criminosa informa a Rogério 157 que dialogou com 10 policiais da Unidade de Polícia Pacificadora. Os agentes teriam pedido R$ 2 mil  de propina.

Até 2016

Em depoimento no processo, o delegado Fabio Marcelo Andrade, autor do inquérito policial, disse que, nas intercepções, o líder do Complexo da Maré, Menor P, defendia que o Estado conseguiria manter o combate ao tráfico até 2016, data dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

“Após, a guerra entre as facções pela tomada de territórios voltaria e se intensificaria”, diz trecho da decisão.

Na mesma sentença, também foi condenado a seis anos e oito meses de reclusão pelo crime de associação para o tráfico José Carlos de Souza, conhecido como “Gênio”.  Souza é apontado como contador do comercio de drogas da favela da Rocinha.

Ele foi absolvido das penas de tráfico de entorpecentes e está foragido desde o oferecimento da denúncia, em 2013.

Em interrogatório, Rogério negou os fatos, e afirmou que morava com a mãe em Minas Gerais no período dos fatos narrados pela investigação. A decisão destaca que ele não possui “nenhum comprovante de sua permanência na região”.

“O mesmo teria saído de janeiro em 2012, e residiu em Minas Gerais por quatro anos, voltando para o Rio apenas para poder ficar com seu filho seu filho na comunidade da Rocinha”, diz a sentença.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro não informou, por razões de segurança, o nome do magistrado ou magistrada responsável pela decisão.

Guerra na Rocinha

Rogério é apontado pela polícia como pivô do início de uma guerra violenta na Rocinha em setembro do ano passado contra bandidos ligados a seu ex-aliado Antônio Bonfim Lopes, o Nem.

Segundo reportagem do UOL, Nem e Rogério romperam no ano passado porque 157 estaria obrigando moradores a pagar uma taxa de gás e cobrando tributos adicionais de mototaxistas e comerciantes, o que lhe rendia R$ 100 mil por mês.

O processo tramita sob o número 0442544-76.2013.819.0001.


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