Justiça

Lava Jato

‘Quebra de sigilo’ na Operação Lava Jato

Como juiz e advogados se retratam no WhatsApp

Um grande crocodilo atacando outro menor define a imagem no WhatsApp do juiz federal Sérgio Moro, o temido magistrado da Operação Lava Jato. Foi assim que ele mesmo decidiu se apresentar em seu perfil. Semelhanças com a realidade seriam mera coincidência?

Com autorização do próprio magistrado e de outros personagens dessa história, o JOTA publica aqui algumas imagens.

A foto foi escolhida por brincadeira, explica Moro aos mais próximos.

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Sérgio Moro

Na imagem, a calmaria de um lago coberto por vegetação é interrompida por um crocodilo, daqueles gigantes, abocanhando outro da mesma espécie. A luta é de bicho grande. Ganha quem for mais preciso, observador. Não é mesmo tarefa fácil colocar na cadeia empresários e doleiros e fundamentar a abertura de investigação contra políticos. Moro é especializado em casos de lavagem de dinheiro, um dos crimes mais difíceis de se combater no país.

O status do magistrado no WhatsApp dá o que pensar: “Na academia”.

Em pouco mais de um ano de trabalho foram 20 ações penais e 5 cíveis foram abertas. Houve denúncia contra 103 pessoas. Mais de 165 recursos contra decisões da justiça federal do Paraná foram apresentados. O Ministério Público Federal conseguiu firmar 15 acordos de delação premiada, 36 pedidos de cooperação internacional. Entre mandados de prisão preventiva e temporária, a Lava Jato cumpriu 44, sem contar os casos de condução coercitiva, em que a pessoa não é presa mas é obrigada a prestar esclarecimentos na delegacia. O número que mais agrada aos cofres públicos é a recuperação de cerca de R$ 500 milhões de recursos desviados.

Nesse período, o que advogados, investigados e investigadores mais fizeram foi trocar informações. A rapidez na divulgação de depoimentos, vídeos e decisões – o que detêm notoriedade no caso Lava Jato – forçou mais atenção com o fluxo de informações entre as partes, com pretensão de que siga no mesmo ritmo.

Juliano Breda
Juliano Breda

O quadro “O Grito” do pintor norueguês Edvard Munch foi o escolhido pelo advogado Juliano Breda, presidente da OAB no Paraná, para o momento. Ele é advogado de executivos da OAS e da Andrade Gutierrez no caso. “Uso WhatsApp o dia inteiro. Com meu escritório, com os outros colegas e com os clientes, quase 90% das situações resolvo por aqui”, resume. A imagem é uma das artes mais conhecidas mundialmente. Traduz angústia.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, gosta de trocar a imagem do aplicativo de celular todos os dias. Às vezes, ele aceita até sugestões de amigos. Uma brincadeira do site The Piauí Herald com o rosto do próprio Kakay representando o rosto de Pôncio Pilatos virou foto do perfil rapidamente. Ele também gosta de publicar fotos de Paris, sua cidade favorita.

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Fabio Toffic

Também é na rede social, que os conhecidos óculos de grau do advogado Fábio Tofic, da Engevix, dão lugar aos de sol.

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Antônio Figueiredo Basto

Viagens animam o advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto a publicar fotos no WhatsApp. Ao ser perguntado sobre a foto que o JOTA poderia publicar,  ele substituiu a imagem do perfil por uma caprichada. Foto de estúdio, flash, luz e o sorriso de um dos advogados mais observados por todos no caso.

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Antonio Sergio de Moraes Pitombo

Defensor do vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, o advogado Antonio Sergio de Moraes Pitombo mantém o status “Busy” (ocupado) na rede social, ao mesmo tempo em que remete o interlocutor para a bela visão de uma pequena alameda às margens de um lago.

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Alguns criminalistas, a exemplo de Basto, preferem uma imagem que os identifique e não usam o campo de “status” para dizer o que estão fazendo. É o caso da advogada Joyce Roysen, que defende Adarico Negromonte suspeito de transportar valores de Alberto Yousseff para políticos. E de Alberto Toron, defensor da UTC, e Pierpaolo Bottini, defensor do presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini.

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Rogério Taffarello

É natural que o status do advogado Rogério Taffarello mostre que ele está  “busy”. Responsável pela defesa do engenheiro Shinko Nakandakari, contratado pela Galvão Engenharia, o criminalista acertou a delação premiada de seu cliente, que acabou de ser homologada pelo juiz Sergio Moro. Em seu whatsapp, a placa com o célebre início do capítulo 58, da 2ª parte de Don Quixote de La Mancha:

“La libertad, Sancho, es uno de los más preciosos dones que a los hombres dieron los cielos; con ella no pueden igualarse los tesoros que encierra la tierra ni el mar encubre”. (A liberdade, Sancho, é um dos presentes mais preciosos que aos homens deram os céus; a ela não se podem igualar os tesouros que a terra esconde ou o mar encobre)

Uma longa frase que termina, sem caber na placa, com a passagem:

¡Venturoso aquel a quien el cielo dio un pedazo de pan sin que le quede obligación de agradecerlo a otro que al mismo cielo! (Venturoso aquele a quem o céu dá um pedaço de pão, sem que lhe fique a obrigação de agradecer a outro que não o mesmo céu).

Na esfera administrativa, há espaço para imagens mais lúdicas. A advogada Beatriz Catta Preta – responsável pela assinatura do primeiro acordo de leniência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) com a Setal Engenharia e Construções, a SOG Óleo e Gás e funcionários e ex-funcionários das empresas do grupo -defende em seu status no WhatsApp: “believe in magic”, expressão ladeada por bolas de futebol e laços cor de rosa. O perfil vem acompanhado da foto que não pede legendas:

Beatriz Catta Preta
Beatriz Catta Preta

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