Justiça

Lava Jato

Procurador da República é denunciado por corrupção

Segundo MPF, Ângelo Goulart Villela recebeu mensalinho de R$ 50 mil para beneficiar JBS

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta segunda-feira (05/06) o procurador da República Ângelo Goulart Villela e o advogado Willer Tomaz de Souza por tentarem embaraçar o procedimento de delação premiada e investigações envolvendo o grupo J&F, controlador da JBS. Ambos estão atualmente presos no Complexo Penitenciário da Papuda.

Para o MPF não restou “sombra de dúvida de que Ângelo e Willer deixaram clara sua atuação em favor dos interesses da J&F, funcionando como verdadeiros defensores dos interesses do grupo econômico, valendo-se” da condição de Ângelo, procurador da República e então membro da Força Tarefa da Operação Greenfield, que “praticou e deixou de praticar atos de ofício”.

Ângelo, para o MPF, foi “aliciado pelo advogado Willer” e, de fato, passou a atuar “em prol dos interesses da J&F, mediante aceitação e recebimento de vantagem indevida de R$ 50 mil por mês”.

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Segundo escrevem os procuradores regionais da República Janice Ascari, Uendel Ugatti e Paulo Taubemblatt, Ângelo “embaraçou procedimento de delação premiada dos líderes da J&F e as investigações realizadas pela Força Tarefa da Greenfield”, além de revelar “informações e documentos sigilosos que foram entregues a Joesley por intermédio de Willer”. Segundo a denúncia, procurador e advogado atuaram juntos entre março e maio de 2017.

O procurador da República chegou a vazar, via WhatsApp, a íntegra da audiência da oitiva de Mário Celso, ex-sócio da Eldorado Celulose, realizada na sede do Ministério Público Federal para Willer, que mostrou o áudio a Joesley Batista.

Willer fez ainda uma reunião em seu escritório com Francisco de Assis e Silva, advogado da JBS, e o procurador da República Ângelo Goulart em que tratou do caso da Operação Greenfield e apresentou documentos de acesso restrito da Força-tarefa do caso.

O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi denunciado pelos crimes de corrupção passiva com causa de aumento de pena, violação de sigilo funcional qualificada e obstrução à investigação de organização criminosa. Já o advogado Willer Tomaz foi denunciado por corrupção ativa,  violação de sigilo funcional qualificada e obstrução à investigação de organização criminosa.

O MPF também pede que Villela perca o cargo público “por ter agido com violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade” e, junto com o Willer, pague uma indenização por danos morais no valor de R$ 2 milhões para a União por terem causados prejuízos difusos como “lesões à ordem econômica, à administração da justiça e a administração pública, inclusive à respeitabilidade do Ministério Público Federal perante a sociedade brasileira”.

O processo, que está em segredo de Justiça, tramita sob a relatoria do desembargador Toru Yamamoto, no Órgão Especial do Tribunal Regional Federal da 3a Região.


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