Justiça

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Plano de RJ da controladora da Ricardo Eletro prevê deságio de 85% nas dívidas

Grupo Máquina de Vendas, que acumula dívida de R$ 4 bi, apresentou plano à Justiça. Leia a íntegra do documento

Lojas Ricardo Eletro
Lojas Ricardo Eletro / Fonte: Wikimedia Commons

O Grupo Máquina de Vendas, controladora da rede varejista Ricardo Eletro, apresentou nesta terça-feira (13/10) à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo um plano de recuperação judicial  (PRJ) da companhia, que acumula atualmente cerca de R$ 4 bilhões em dívidas.

Dentre as diversas medidas, o plano prevê pagamento aos credores com garantia real por meio de cash sweep, modalidade que permite aos credores utilizar o excesso de caixa do grupo para amortizar a dívida, com deságio de 85%. A mesma proposta vale para os credores quirografários, os credores micro empresários (ME) e também as Empresas de Pequeno Porte (EPP). Leia na íntegra o PRJ.

Para o pagamento em todos esses casos, o caixa mínimo apurado em 31 de dezembro de cada ano deve ser de R$ 100 milhões. “O excedente de caixa superior ao Caixa Mínimo será integralmente utilizado para pagamento dos Credores com
Garantia Real, Credores Quirografários e Credores ME e EPP”, diz o documento.

Para os 3.500 ex-funcionários da companhia que foram demitidos no processo de RJ, o plano estabelece o pagamento imediato de até R$ 4 mil, mediante termo de adesão dos trabalhadores. Aos que têm crédito trabalhista com valores superiores, será proposto um pagamento no prazo de até 12 meses para a quitação das dívidas.

Segundo o documento, nos casos com valores superiores ao pagamento imediato, o deságio será de 50% para valores de até R$ 10 mil, com aumento progressivo de acordo com o montante do crédito trabalhista.

Para os que precisam receber valores acima de R$ 150 mil, o deságio será de 85%. O grupo se compromete, ainda, a promover um mutirão de conciliação com os ex-funcionários como forma de “minimizar as discussões judiciais”.

Para arcar com os compromissos, o Grupo Máquina de Vendas, que além da Ricardo Eletro, também controla marcas como Insinuante, Salfer, City Lar e EletroShopping, prevê a manutenção das atividades durante a tramitação do pedido de RJ.

“Sujeito às limitações previstas em lei, as Recuperandas manterão normalmente suas atividades e poderão realizar revisão dos seus negócios que, em seu melhor entendimento, não estejam em consonância com os objetivos de médio e longo prazo das Recuperandas”, diz o plano.

Estabelece, ainda, que as “Recuperandas poderão contrair Financiamentos e Fornecimentos, bem como poderão buscar outras formas de financiamento, que podem ser obtidos por qualquer meio que as Recuperandas julgar conveniente”, via emissão de debêntures, bônus de subscrição, emissão de bonds, alienação de ativos, entre outros.

Salvatore Milanese, sócio-fundador da Pantalica Partners, que faz a assessoria financeira do grupo e elaborou o PRJ, os trabalhadores demitidos e, consequentemente, as dívidas trabalhistas, são o principal foco de atenção.

“Nesse momento, estamos dando prioridade às dívidas trabalhistas, porque os trabalhadores demitidos são o principal foco de atenção da empresa. Contudo, os fornecedores estratégicos, essenciais para a continuidade do negócio, também serão priorizados. A ideia é envolvê-los no processo de recuperação do negócio, de forma que recuperem os seus créditos o mais breve possível”, diz Milanese.

Milanese afirma, ainda, que o plano prevê fundamentalmente uma desalavancagem importante para que o negócio tenha uma dívida mais equilibrada para que, assim, a empresa possa se concentrar nas operações de crescimento.

O processo de recuperação judicial da Ricardo Eletro tramita com o número 1070860-05.2020.8.26.0100.


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