Justiça

Crime no Rio

PF abre inquérito para apurar obstrução à investigação sobre a morte de Marielle

Segundo ministro, testemunhas relataram que agentes públicos e milicianos estão atrapalhando as investigações

Marielle, PF
A vereadora Marielle Franco, no plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. (Crédito: ASCOM/Câmara Municipal)

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, anunciou nesta quinta-feira (1/11) a abertura de um inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar se uma organização criminosa está obstruindo as investigações sobre as mortes da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes.

Conforme o ministro, duas testemunhas relataram a procuradores federais que a organização envolveria agentes públicos, milicianos e outras organizações criminosas. Os nomes dos investigados e das testemunhas não foram divulgados.

“Essas informações e denúncias são extremamente graves, porque remetem ao duplo homicídio da vereadora Marielle e de seu motorista Anderson Gomes. Essas denúncias que precisam e serão investigadas pela PF”, comentou o ministro.

A abertura de inquérito atende a requisição da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recebida pelo Ministério nesta quinta. Não há prazo para a conclusão das investigações, afirma Jungmann.

Mesmo com a abertura do inquérito na PF, as investigações no âmbito estadual envolvendo a morte de Marielle seguem normalmente no Rio de Janeiro, ainda conforme o ministro.

Os crimes a serem apurados, diz Jungmann, são organização criminosa, coação no curso do processo, fraude processual, favorecimento pessoal, patrocínio infiel, exploração de prestígio, falsidade ideológica, outras falsidades e fraudes e eventual crime de corrupção.

Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos a tiros em 14 de março, no bairro Estácio, na região central do Rio, momentos após saírem de carro de uma reunião política. Defensora dos Direitos Humanos e crítica à violência, a vereadora do PSOL integrava a Câmara Municipal do Rio de Janeiro desde 2017.

Até agora, cinco suspeitos pelo crime foram detidos, mas cumprem penas por outros crimes. Detalhes da participação deles no assassinato, no entanto, não foram divulgados pelas autoridades.


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