Justiça

Michel Temer

PF aponta ao STF indícios de que Temer cometeu corrupção

Relatório parcial pede prorrogação das investigações sobre obstrução de justiça

Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal apontou indícios de que o presidente Michel Temer e seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures cometeram crime de corrupção passiva. A avaliação faz parte das investigações do inquérito que investiga os dois a partir das implicações da delação da JBS.

A PF, no entanto, pediu ao STF a prorrogação, por mais cinco dias, da outra frente de investigação do caso, a que apura obstrução de Justiça. A autoridade policial quer mais tempo para a conclusão da perícia na gravação entregue por Joesley Batista de uma conversa com Temer. A expectativa é de que essa análise técnica do áudio termine na quarta-feira.

Com a conclusão parcial do inquérito, o ministro Edson Fachin pode decidir enviar apenas essa parte para que a PGR decida, em cinco dias, sobre eventual apresentação de denúncia por este crime. Esse prazo está previsto em lei para inquéritos com réus presos. Rocha Loures está preso desde o início do mês. O ministro, no entanto, pode decidir aguardar a finalização de toda a investigação para remeter o caso para o MP. A expectativa é de que a denúncia da PGR contra Temer fique para a próxima semana.

[formulario_fulllist]

De acordo com as investigações, a corrupção passiva está ligada às negociações que resultaram no repasse de uma mala com R$ 500 mil a Rocha Loures que seria propina da JBS. O ex-assessor de Temer foi flagrado recebendo a mala em um restaurante de São Paulo.

Os investigadores apontam que Rocha Loures  aceitou e recebeu com “naturalidade” em nome do peemedebista a oferta de propina  – 5% sobre o benefício econômico a ser auferido – feita pelo empresário Joesley Batista, em troca de interceder a favor do Grupo J&F, mais especificamente em favor da EPE Cuiabá, em processo administrativo que tramita no Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

A PF ouviu os depoimentos de Joesley Battista, do operador Lucio Funaro e do ex-deputado Eduardo Cunha. Após pedir mais prazo para responder a depoimento por escrito, Michel Temer informou ao STF que não se manifestaria e recorria ao direito de ficar calado, atacando as 82 perguntas feitas pela PF.


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito