Legislativo

Michel Temer

Perícia contratada por Temer quer invalidar gravação

Perito Ricardo Molina, contratado pela defesa do presidente, defendeu invalidade da gravação

O perito e professor da Unicamp Ricardo Molina, contratado pela defesa do presidente Michel Temer para analisar as gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, afirmou nesta segunda-feira (22/5) que os arquivos de áudio entregues ao Ministério Público não podem ser considerados como prova. Na opinião de Molina, a gravação possui mais de 50 alterações como mascaramentos de ruídos e cortes abruptos que levam a crer que houve manipulação.

“Em um processo normal essa gravação sequer seria aceita como prova pelo excesso de vícios que tem. O foco da questão é: dá para garantir que a gravação é autêntica? Não! E se não é  possível provar que a gravação é autêntica, a prova é imprestável. Eu vejo uma gravação contaminada, tão contaminada que eu não posso levá-la a sério. Ela só está sendo levada a sério por conta do contexto político que a circunda”, afirmou o professor durante coletiva convocada pela defesa de Temer em um hotel no centro de Brasília.

Molina afirmou que o primeiro indício de fraude na gravação é o nome do arquivo. Gravadores digitais utilizam uma sequência aleatória de números ou letras para nomear os arquivos, o que, segundo o perito, não ocorreu na gravação entregue por Joesley Batista ao Ministério Público.

“A gravação não é original. Joesley entregou uma gravação chamada PR114032017.WAV. Isso não é um nome de arquivo produzido digitalmente. O que me deixa preocupado é, por ser tão óbvio que não era original, por que não questionaram isso na hora? Ainda que apareça o tal arquivo original, por que ele não apareceu antes? Essa gravação fraudulenta deveria ser desprezada como se despreza uma carne com pedaço podre”, comparou.

Molina também contestou a qualidade do gravador utilizado pelo presidente da JBS. Segundo o perito, os metadados do arquivo mostram que a gravação foi feita com qualidade de 4 bits, o que, de acordo com ele, seria indício da intenção de mascarar problemas sob a forma de má-qualidade do gravador.

“Causa estranheza que uma gravação de tal importância tenha sido feita com um gravador tão vagabundo. Se foi o que vi na imprensa, custa R$ 26 no Mercado Livre. Acho que o Joesley poderia ter comprado uma coisa um pouquinho mais cara, né”, ironizou.

Em relação à análise dos trechos, Molina garantiu que há trechos nítidos de alteração. Eles estariam na ausência de partes das falas, especialmente do presidente Temer. O professor utilizou como exemplo dois trechos em que foram analisadas a pronúncia de vogais. Em ambos, as ondas sonoras já começam em picos, o que seria uma prova de que as partes anteriores foram deliberadamente excluídas.

“O comportamento da gravação é caótico. Existem inúmeros pontos ao longo da gravação nos quais poderia-se efetuar, sem qualquer vestígio, uma edição com corte de material original. Eu posso arrancar um pedaço dessa gravação e não vai haver um perito no mundo que vá descobrir que eu fiz isso. Existem inúmeros pontos em que isso poderia ser feito. Cortes nesse tipo de gravação são muitos simples, coisa de criança”, disse.

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Enfrentamento

Molina disse que tem certeza de que a Polícia Federal vai identificar as mesmas falhas técnicas no material, mas não deixou de fustigar ao afirmar que seus equipamentos são melhores que os da instituição e que iria contestar caso as conclusões dos peritos não fossem parecidas com as dele. O perito também criticou duramente o relatório inicial da Procuradoria-Geral da República, que fez a análise inicial da gravação.

“Essa gravação não pode ser usada como prova e a PGR é ingênua por querer usá-la. É coisa de leigo aquele relatório. E foi a partir dali que partiu uma imputação artificial. Os técnicos do MPF que assinaram aquilo, eu conheço, não entendem nada daquilo. É um documento tão estranho que a própria associação dos peritos federais disse que (a gravação) não poderia ser considerada. Houve um açodamento de jogar na praça”, afirmou.


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