Justiça

Auxílio-moradia

Ofuscada pela morte de Marielle, paralisação de juízes motiva reprovação nas redes

Juízes fizeram paralisação pela manutenção do auxílio-moradia e pela valorização da magistratura, mas redes reprovaram o movimento

Rio de Janeiro - O corpo da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes chegam à Câmara Municipal, no centro do Rio, onde ocorre o velório (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Ofuscada pela comoção nacional com o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol-RJ), a paralisação feita por juízes em defesa do auxílio-moradia, nesta quinta-feira (15/03), foi objeto de baixo debate no Twitter e quase unânime reprovação por parte dos cidadãos. Da 0h de quarta-feira (14), véspera da greve, às 13h de sexta (16), foram 28,3 mil postagens sobre o assunto, que foi associado a outras manifestações de cunho popular — como a greve de professores em São Paulo —, à indignação com a morte de Marielle e à demanda por redução dos privilégios de diferentes categorias do serviço público, inclusive de políticos.

Dentro do debate sobre o auxílio-moradia e a greve, 24% das menções fizeram referência a Marielle, inclusive entre as postagens de maior influência na discussão, que comparam as causas defendidas pela vereadora (como a promoção dos direitos humanos e das minorias e a redução da desigualdade) com a paralisação promovida por um setores de maior privilégio na sociedade brasileira. Já as agressões a professores, em São Paulo, foram citadas em 16% das publicações, sob o mesmo mote comparativo — com o destaque para a disparidade financeira entre o salário de docentes da educação básica e o valor do auxílio-moradia.

Também chamam atenção as críticas à noção de “trabalho escravo”, defendida por juízes em ato em São Paulo, como argumento de defesa à manutenção do auxílio-moradia. Perfis ironizam a imagem que os magistrados têm da escravidão, levando-se em conta a História do Brasil e a situação da maior parte da população do país, sob o comparativo dos benefícios que possuem: 1,2 mil tuítes destacam esse subtópico. O STF, que vive cobranças para julgar a validade do pagamento de auxílio-moradia aos magistrados, foi figura periférica na discussão: apenas 320 postagens citam o Supremo ou os ministros Cármen Lúcia e Luiz Fux.


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