Negociação entre PGR e JBS foi cercada de desconfianças

Tratativas só avançaram depois de a empresa apresentar material concreto

As negociações entre a Procuradoria Geral da República e a JBS para um acordo de delação premiada foram consideradas tensas e cercadas de desconfianças, segundo pessoas próximas às investigações. Isso porque havia receio de que a JBS estivesse potencializando suas relações e influências com autoridades.

Com a entrega de elementos aos procuradores, como uma foto de um jantar do empresário Joesley Batista com o procurador Ângelo Goulart, e a gravação envolvendo o presidente Michel Temer, as tratativas avançaram. A gravação do peemedebista foi realizada antes das negociações da delação.

Diante das indicações da JBS, os procuradores começaram a traçar a estratégia de atuação e decidiram usar as chamadas ações coordenadas para reunir o máximo de elementos probatórios. Os investigadores avaliaram que a situação era diferente do caso do ex-senador Delcídio do Amaral, preso por tentar evitar a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Naquele caso, foi avaliado que o ex-congressista estava em flagrante continuado.

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Após analisar os elementos trazidos pela JBS os procuradores decidiram que era possível recorrer a ação coordenada para reunir o maior número de provas possível e avisaram ao ministro do STF, Edson Fachin. Esse instrumento é considerado o mais requintado das investigações e utilizado em situações especiais – é um ato considerado arriscado tanto para o delator quanto para o desenrolar das próprias investigações.

As ações foram iniciadas em abril com acompanhamento de procuradores e da PF e as cenas, dizem fontes, lembram um roteiro de filmes. As malas foram chipadas, os responsáveis pela entrega de dinheiro estavam com gravadores e as cédulas foram identificadas.

O uso da ação coordenada trará benefícios aos delatores da JBS que não ficarão presos, mas pagarão multa milionária.

A JBS chegou a manter dentro do Ministério Público um informante o procurador Angelo Goulart, que teria chegado a gravar reuniões de procuradores negociando acordos de delação premiada que envolveriam a empresa.

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