Justiça

MPF denuncia tesoureiro do PT por lavagem de dinheiro

Na 10ª fase da Operação Lava Jato, João Vaccari Neto também é acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha

Na deflagração da 10ª fase da operação Lava Jato, o MPF no Paraná apresentou hoje novas denúncias contra envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos da Petrobras.

Um ano após a deflagração da operação, a Procuradoria alega ter encontrado provas de que empresas de fachada controladas pelos empresários Mário Góes e Adir Assad foram utilizadas para ocultar a origem de mais de R$ 292 milhões desviados da estatal. Os recursos teriam sido fruto de fraudes e superfaturamento nas obras das refinarias Repar e Replan e dos gasodutos Pilar-Ipojuca e Urucu-Coari, da Petrobras.

Segundo o procurador Deltan Dallagnol, a propina era disfarçada de doação eleitoral com aparência lícita. Ele disse que houve 24 doações eleitorais em 18 meses por empresas do grupo Setal para o PT. João Vaccari Neto, tesoureiro do PT tinha consciência de que recursos eram oriundos de propina, afirma o procurador.

“Temos provas de que Vaccari se reunia com empresários, Duque e Barusco para tratar de propina.”

Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, afirmou em delação premiada que recebia mochilas de dinheiro em nome de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal.

Como o JOTA adiantou na semana passada, as novas denúncias apresentadas pelos procuradores da Lava Jato se basearam em depoimentos e documentos apreendidos durante a nova fase da operação, batizada como My Way –referência ao apelido de Duque, preso novamente nesta segunda-feira.

Nas diligências realizadas no início de março, agentes da Polícia Federal apreenderam provas na casa do empresário Mário Góes, apontado como um dos operadores financeiros das empresas envolvidas no esquema de desvio de recursos da Petrobrás. Góes está detido na carceragem da PF em Curitiba há mais de um mês.

Dentre os documentos encontrados pela PF em endereços do empresário, estão diversos contratos firmados entre Góes e as empreiteiras para dar aparência de legalidade a transferências milionárias.

Segundo a PF, as empresas Riomarine Oil e Gas Engenharia e Empreendimentos Ltda., sob controle de Mário Góes, eram usadas em negócios de fachada com empreiteiras como Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, MPE, OAS, Setal e UTC, para camuflar o repasse de propina para funcionários da Petrobras e políticos.

A operação

Deflagrada em março de 2014, a operação Lava Jato começou como uma investigação contra uma rede de lavagem de dinheiro que envolvia os doleiros Alberto Youssef e Carlos Chater, que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões.

Ao longo da apuração, a PF descobriu que, entre diversos negócios ilícitos, Youssef também atuava como operador de um esquema de distribuição de propina e lavagem de recursos desviados da Petrobras, associado ao ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. O esquema teria perdurado pelo menos entre 2004 e 2012, causando a Petrobras um prejuízo estimado pelo MPF em R$ 2,1 bilhões.

Preso duas vezes por ordem do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, Costa assinou um acordo de delação premiada em que revelou haver um acordo entre empreiteiras e partidos políticos para o superfaturamento de obras e contratos da estatal, com vistas à distribuição de porcentagens desses contratos a gentes políticos e funcionários da petroleira.

Na sequência, Youssef e outros investigados, incluindo altos executivos de empreiteiras, também decidiram colaborar com a Justiça em troca de redução de penas, revelando novos detalhes do esquema, como os nomes dos políticos beneficiados pelos desvios de recursos.

Pouco mais de um ano depois do início da operação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedido de abertura de inquérito contra 54 pessoas suspeitas de participação no esquema. A lista inclui nomes como o dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), senadores e deputados da base aliada do governo Dilma Rousseff.

Enquanto o STF supervisiona a investigação da parte política do esquema, que envolve agentes públicos com prerrogativa de foro, executivos de empreiteiras e operadores financeiros do esquema continuam sob a mira do juiz Sérgio Moro.


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