Do Supremo

STF

Lewandowski diz que país precisa ter “paciência” para não cair em golpe institucional

Em palestra, presidente do Supremo ainda critica o foco do Congresso em “investigações amadoras”

Nelson Jr./SCO/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, falou de risco de “golpe institucional” e fez críticas ao foco do Congresso para “investigações amadoras”, durante palestra proferida nesta sexta-feira (13/11), em uma faculdade em São Paulo.

Sem citar a presidente Dilma Rousseff ou processos de impeachment, o ministro afirmou que o Brasil precisa “ir devagar com o andor” e aguentar os próximos três anos para não desembocar em um golpe institucional.

“Com toda a franqueza, devemos esperar mais um ano para as eleições municipais. Ganhe quem ganhe as eleições de 2016, nós teremos uma nova distribuição de poder. Temos de ter a paciência de aguentar mais três anos sem nenhum golpe institucional”, afirmou.

“Estes três anos (após o ‘golpe institucional’) poderiam cobrar o preço de uma volta ao passado tenebroso de trinta anos. Devemos ir devagar com o andor, no sentido que as instituições estão reagindo bem e não se deixando contaminar por esta cortina de fumaça que está sendo lançada nos olhos de muitos brasileiros”, completou, atribuindo a atual crise mais a questões políticas do que econômicas.

“Investigar é para profissional”

Lewandowski ainda criticou o fato de o Congresso priorizar investigações amadoras em detrimento de sua função constitucional de legislar.

“Investigar é para profissional, não é para amador, com todo respeito aos nossos parlamentares. É por isso que as CPI´s dão no que dão”, afirmou.

Para o presidente do Supremo, o Congresso deixou de lado a sua função legislativa e passou a exercer uma função investigativa. “Inúmeras CPIs correndo, substituindo o Ministério Público, a Polícia Federal e o próprio Judiciário, fazendo aquilo que eles não sabem fazer e deixando de fazer aquilo que eles sabem fazer de melhor, que é legislar”, disse.

Lewandowski ainda enalteceu o protagonismo crescente do Supremo para definir matérias que o Congresso não tem condições de resolver.

“Essa ideia de separação tão absoluta de poderes hoje não sei se ainda vigora. Sobretudo no momento que o STF tem um protagonismo um tanto quanto maior resolvendo questões tais como essa de ontem [quinta-feira, 12/11]. É matéria própria do Congresso Nacional, mas que o Congresso Nacional hoje não tem como resolver”, afirmou, fazendo referência à decisão da Corte que suspendeu as doações ocultas de campanha.

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