Justiça

Lava Jato: Exclamação para evitar investigação!!!

Defesa de Roseana Sarney e Edison Lobão apresenta agravos regimentais ao Supremo Tribunal Federal

Crédito Jefferson Rudy/Agência Senado

Com pouco mais de 20 páginas e muitos sinais de exclamação, a defesa da ex-governadora do Maranhão Roseanna Sarney e do senador Edison Lobão tenta convencer o ministro Teori Zavaski de que o inquérito contra os dois peemedebistas deveria ser arquivado a exemplo do que ocorreu com o pedido de investigação contra a presidente Dilma Rousseff.

Segundo a defesa, os dois casos são similares porque a acusação foi feita com base em depoimentos contraditórios, conjecturas, informações parcas, duvidosas e superficiais. Ao todo, há 18 exclamações para persuadir 1 ministro. O inquérito contra a presidente não foi aberto.

“Com as mais respeitosas vênias, Senhores Ministros, o
raciocínio da Procuradoria-Geral é completamente inverso!!”, afirma o agravo regimental apresentado por 5 advogados que defendem Roseana e Lobão.

Leia o agravo regimental de Roseana Sarney

Leia o agravo regimental de Edison Lobão

Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República, Lobão obteve R$ 2 milhões de reais do esquema ilegal investigado pela Lava Jato para financiar parte da campanha de Roseanna Sarney, em 2010. Em delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirma que recebeu o pedido de Lobão e que o delator Alberto Youssef fez a entrega do dinheiro num hotel em São Paulo. Costa não consegue se recordar se o suposto pedido foi feito na casa ou no gabinete de Lobão no Ministério de Minas e Energia. Já o doleiro Youssef não confirmou que o dinheiro era para a campanha ao governo do Maranhão.

“Ignora Sua Excelência o Procurador-Geral da República que, diferentemente de ROSEANA SARNEY e EDISON LOBÃO, a capital paulista onde teria supostamente se dado a entrega de R$ 2 milhões é reduto eleitoral de DILMA ROUSSEF e ANTONIO PALOCCI”, afirmam os advogados.

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O doleiro Youssef diz lembrar da entrega de R$ 2 milhões, em 2010, num hotel em São Paulo, em que ele teria ido pessoalmente, não deixou registro na recepção, disse não lembrar do nome da pessoa mas que seria um homem de terno e gravata, estatura mediana, que parecia ser
um motorista e não o dono do valor ou uma pessoa mais sofisticada.

A defesa exclama: “Com a devida vênia, YOUSSEF NÃO deixou clara tal
possibilidade!! Muito pelo contrário! Ao mencionar entrega de valores em São Paulo, o doleiro simplesmente afasta a suposição de que tal quantia serviria a uma campanha política no Maranhão!” Resume dizendo que se trata de outro extremo do país.

“Não há verossimilhança e convergência nos depoimentos dos delatores a respeito da aludida entrega de R$ 2 milhões em um hotel, ao revés, há flagrante divergência que, na realidade, fulmina tal juízo de verossimilhança!”, manifesta o agravo.


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