Justiça

Justiça Federal do DF

Juiz da Greenfield aponta “agentes” de esquema em fundos

Prejuízos para Petros e Funcef são estimados em R$1,7 bi

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, afirmou que há indícios de que o proprietário da Holding J&F, Joesley Batista, e Mário Celso Lopes, ex-sócio da Eldorado Celulose, foram “um dos principais beneficiários e agentes das condutas ilícitas que possivelmente lesaram os fundos de pensão Petros e Funcef no investimento do Fundo de Investimentos em Participação (FIP) Florestal”.

As investigações da Operação Greenfield estimam prejuízo de R$ 1,7 bilhão para os dois fundos. As práticas investigadas podem configurar gestão fraudulenta no Sistema Financeiro com participação de conselheiros dos fundos em conluio com empresários, e ainda possivelmente lavagem de dinheiro e corrupção e tráfico de influência, com danos aos investidores.

A afirmação do juiz sobre os empresários consta na decisão que autorizou a 2ª fase da Operação Greenfield, que apura suspeita de um esquema agiu para fraudar os quatro principais fundos de pensão do país, realizada nesta quarta-feira (8/3).

Oliveira determinou a prisão temporária de Mário Celso Lopes. Também foram autorizadas quebra de e-mail utilizado por Joesley, entre 2009 e os dias atuais. A nova fase da Operação Greenfield não teve buscas em endereços de Joesley Batista. A Procuradoria da República no DF requisitou a medida, que foi autorizada pela Justiça, mas a Procuradoria desistiu das medidas posteriormente.

Por fim, a Justiça Federal do DF estabeleceu o bloqueio de R$ 200 milhões das empresas MCL empreendimentos e Negócios, MCL Participações e Eucalipto Brasil, de Mário Lopes, que teve juntamente com seu filho indisponibilidade de até R$ 100 milhões.

A investigação foca na suspeita de que os dois empresários praticaram crimes como gestão fraudulenta de Fundos de Pensão que realizaram investimentos no FIP Florestal. O fundo recebeu aporte de cerca de R$ 550 milhões dos fundos de pensão Petros e Funcef e, por isso, é um dos alvos da investigação iniciada em 2014, pelo MPF.

Segundo os procuradores, há indícios de que os dois empresários agiram para maquiar a operação. “É de se notar a suspeita de que os investigados Lopes e Joesley não tinham à época da participação dos fundos o capital necessário para investimento e por isso cooptaram a Petros e a Funcef no vultoso investimento”, escreve o juiz na decisão.

“Além da superavaliação em prejuízo do FUNCEF e da PETROS no aporte inicial total de mais de R$ 500 milhões a partir de 2009, a MCL e a J&F apresentaram Fazendas e propriedades superavaliadas ou com irregularidades a fim de supervalorizar a parte que investiram no FIP Florestal”, completou.

As apurações da Greenfield revelaram que Mário Celso Lopes participou da constituição da Florestal S/A (atual FIP Florestal). Na época, o empresário era o principal sócio da MCL Empreendimentos e Negócios LTDA, que se aliou ao Grupo J&F Investimentos para a formação da companhia que, posteriormente, entre os anos de 2009 e 2010, recebeu os aportes financeiros de Petros e Funcef.

Em novembro do ano passado, após a deflagração da Operação Greenfield, a Eldorado firmou um contrato de R$ 190 milhões com a empresa Eucalipto Brasil S/A. Chamou a atenção dos investigadores o fato de, menos de um mês após o fechamento do negócio, ter ocorrido a retirada de uma cláusula do contrato. A alteração beneficiou Mário Celso em detrimento da Eldorado e dos sócios minoritários: Funcef e Petros.

De acordo com o MPF, a suspeita é de que a medida tenha sido uma articulação, envolvendo Joesley, com o propósito de comprar o silêncio de Mário, já que este conhecia as irregularidades envolvendo o recebimento dos recursos dos fundos de pensão.

Além disso, para os investigadores, todas as movimentações acionárias e negociações que viabilizaram os investimentos feitos pelos dois fundos de pensão beneficiaram Mário Celso Lopes e seu filho e sócio Mário Celso Lincoln Lopes.

A empresa Eldorado Celulose passou a ser investigada pela Operação Greenfield após a descoberta de indícios de irregularidades no processo de escolha da empresa para receber recursos dos fundos de pensão. Para os investigadores, os responsáveis pelos investimentos no FIP Florestal atuaram ilicitamente e admitiram a superavaliação dos ativos que foram objeto de investimento.
Com isso, mesmo fazendo um grande aporte de capital próprio (cada fundo investiu R$ 275 milhões) e assumindo grandes riscos, Funcef e Petros não tiveram o controle da empresa Florestal.


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