Justiça

Lava Jato

Faça concurso para juiz, diz Moro em discussão com defesa

Juiz protagonizou, mais uma vez, embate com Batochio, advogado de Antonio Palocci

Responsável pela Lava Jato na primeira instância, o juiz Sergio Moro se envolveu nesta segunda-feira (6/3) em mais uma discussão com o advogado José Roberto Batochio.

Defensor do ex-ministro Antonio Palocci, Batochio questionou uma pergunta do juiz a Fernando Barbosa, testemunha no processo. Em resposta, Moro disparou: “O doutor faça concurso para juiz e assuma a condução da audiência, mas, quem manda na audiência é o juiz”, disse.

A ação penal apura suposto envolvimento de Palocci com a Odebrecht, sendo que o ex-ministro é suspeito de receber propina sob codinome “italiano”.

Confira o embate:

Moro: Tem uma frase: Mencionou, em referência ao diretor [Renato] Duque, que tem compromisso com o PT de ficar no cargo de diretor até solucionar a contratação dessas 21 sondas. O que o senhor entendeu com essa afirmação? O senhor sabe explicar?

Barbosa: Meritíssimo, eu entendi o que está escrito aqui.

Batochio: Pela ordem, Excelência, as testemunhas depõem sobre fatos, não sobre o que ela acha ou entende. (…) que fique impugnada a pergunta de Vossa Excelência. E já acrescento: o fato de que o ministro, em algumas respostas de Vossa Excelência, a testemunha diz que por ouvir dizer soube que o ‘italiano’ era o Palocci, essa defesa insiste no direito de fazer esta pergunta novamente à testemunha.

Moro: Certo, como ele é destinatário do e-mail, a pergunta é pertinente. Então eu reitero a pergunta e depois que eu terminar, eu passo a palavra (…).

Batochio: Com o devido respeito, Excelência, testemunha não pode achar nada, a não ser que haja outro Código de Processo Penal. Porque, de acordo com o Código de Processo Penal brasileiro, a testemunha depõe sobre fatos e não opina, de modo que eu não vou aceitar essa violência contra a letra do Código de Processo Penal, com o devido respeito.

Moro: Tá bom, doutor. Sua questão já foi indeferida. Então, eu reitero a pergunta para a testemunha. A testemunha tem conhecimento dos fatos, já que é destinatária da mensagem. Se ela não souber, ela pode dizer que não sabe.

Batochio: Mas ela não pode achar, Excelência.

Moro: Doutor! A sua questão está indeferida, doutor!

Batochio: A defesa adverte a testemunha de que ela está proibida de depor sobre o que ela acha. A lei impõe que ela deponha sobre fatos.

Moro: Doutor, o doutor faça concurso para juiz e assuma a condução da audiência, mas, quem manda na audiência é o juiz.

Batochio: Vossa Excelência preste exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Cada um aqui cumpre o seu papel, tá certo?

Moro: Sua questão está indeferida, doutor, eu estou perguntando à testemunha. O que o senhor entendeu com essa mensagem, o que o senhor sabia sobre esses fatos?

Barbosa: Olha, eu simplesmente li o que está escrito aqui, mas eu não tinha nenhuma opinião formada. Isso aqui é uma informação que ele colocou. Eu não tinha nenhuma relação com o Duque nem com o PT para saber se o cara ia ficar lá ou não, Meritíssimo. Simplesmente li o que está escrito.

 


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