Do Supremo

Acidente

FAB descarta sabotagem em acidente aéreo de Teori Zavascki

Relatório de investigação aponta mau tempo e pressão sobre o piloto

Foto: Carlos Humberto/SCO/STF

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), divulgou, nesta segunda-feira (22/01), o relatório final de investigação do acidente com o avião PR-SOM, que matou cinco pessoas em 19 de janeiro do ano passado – entre elas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki.

A hipótese de sabotagem do avião foi descartada pela FAB. “Os elementos da investigação colhidos não sustentam nenhum indício que leve à possibilidade de uma interferência ilícita”, afirmou o investigador encarregado do acidente, coronel Marcelo Moreno.

O documento concluiu que no momento da queda da aeronave, às 13h44 daquele dia, não havia condições mínimas de visibilidade necessárias para pouso ou decolagem. Segundo o Cenipa, as condições meteorológicas “tornavam impraticável qualquer manobra de pouso ou decolagem no aeródromo de Paraty”.

A comissão investigadora apontou que o piloto pode ter perdido o controle da aeronave por conta de uma desorientação espacial – causada por uma combinação de sensações de ilusão, chamadas “ilusão vestibular por excesso de G” e “ilusão visual de terreno homogêneo”. As análises descartaram problemas materiais ou mau funcionamento da aeronave.

Ainda segundo o relatório, após entrevistas com o grupo de aviação executiva que opera no Campo de Marte – de onde o avião partiu, em São Paulo – foi registrada a percepção coletiva de que os próprios pilotos se sentiam pressionados a realizar os voos, a despeito das condições meteorológicas da região.

“A cultura de trabalho presente na época favorecia a informalidade em detrimento dos requisitos mínimos estabelecidos para a operação sob regras de voo visual. Esta cultura pode ter influenciado a tomada de decisão do piloto, que optou por insistir na tentativa de pouso”, afirmou o Cenipa.

O sistema da aeronave que caiu na Baía de Paraty, afirmou a Aeronáutica, não registrou panes ou mau funcionamento, e todas as revisões e licenças estavam em dia. Em razão do impacto na água, a asa direita foi arrancada e os dois motores se desprenderam.

De acordo com o relatório, não foram verificadas questões de qualificação, homologação e treinamento do piloto que indicassem deficiências na sua atuação. Com 30 anos de experiência, o piloto operava o avião acidentado desde 2010 e estava com todos os certificados e habilitações válidos. Ele trabalhava para o grupo Emiliano desde 2002.

Ainda segundo o Cenipa, exames feitos na tripulação apontaram que todos os integrantes tiveram morte causada por poli-traumatismo devido ao impacto da aeronave contra a água. O afogamento foi “causa acessória” das mortes, explicou o coronel Moreno.

Além do Cenipa, a Polícia Federal também investiga o acidente. Na semana passada, o diretor-geral do órgão, Fernando Segovia, entregou os principais resultados da investigação à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Até o momento, a PF descarta que o acidente tenha sido provocado, não encontrou indícios de sabotagem e tem a falha humana como linha principal para explicar a tragédia.


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