Justiça

Resposta

Elogio à sentença de Lula foi apreço à técnica jurídica, diz ex-presidente do TRF4

Thompson Flores nega ter telefonado à PF para manter Lula preso e não vê motivo para suspeição

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Mais novo integrante da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que é responsável pelos casos da Operação Lava Jato, o desembargador Thompson Flores não se considera suspeito para atuar em casos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ex-presidente do TRF4, Flores foi questionado pela defesa de Lula por manifestações sobre a condenação do ex-presidente na ação penal do tríplex do Guarujá (SP) e também pela atuação num episódio que provocou uma guerra de liminares em um habeas corpus envolvendo o petista. A 8ª Turma vai julgar recurso do petista contra a condenação no processo sobre o sítio de Atibaia (SP).

O desembargador afirmou que em momento algum exteriorizou assentimento ou dissenso com o juízo valorativo adotado pelo órgão julgador acerca do mérito da condenação. “A manifestação deste magistrado acerca da Operação Lava Jato nos meios de comunicação sociais observou prudência. Com efeito, houve a manifestação de apreço com a técnica jurídica adotada pelo órgão julgador responsável pela condução daquele processo – sem pronunciamento acerca da valoração atribuída por aquele órgão julgador aos elementos cognitivos daqueles autos (mérito); e manifestação acerca dos julgamentos possíveis àquela pretensão deduzida – juízo de procedência; juízo de improcedência; e declaração de nulidade processual”, escreveu.

“Os comentários deste Magistrado acerca da Operação Lava Jato nos meios de
comunicação limitou-se a fixar a excelência da técnica jurídica adotada por todos os Magistrados Federais atuantes na causa, notadamente o ex-juiz Federal Sérgio Moro”, disse.

Segundo Flores, “não há falar na existência de quebra de imparcialidade ou adiantamento de julgamento pelo órgão julgador, certo que o orgulho manifestado por este Magistrado sobre o trabalho desenvolvido por todos os Magistrados Federais da 4ª Região que atuam na Operação Lava Jato consubstancia exercício do direito fundamental à livre manifestação do pensamento”.

Outro ponto levantado pela defesa de Lula é de que Thompson Flores teria interferido na guerra de liminares no dia 8 de julho de 2018 envolvendo o habeas corpus de Lula. Os advogados citam entrevista do ex-diretor-geral da Polícia Federal Rogério Galloro, afirmando que cebeu uma ligação para não soltar o ex-presidente , mesmo com a decisão do desembargador Rogério Favreto pela soltura do petista.

“Sobre a entrevista dada ao Jornal o Estado de São Paulo pelo Diretor-Geral da Polícia Federal – publicada no dia 12 de agosto, domingo –, cabe referir que o Excepto quando da análise do Conflito Positivo de Jurisdição n. 5025635-16.2018.4.04.0000/PR – proposto pelo Ministério Público Federal em regime de plantão no dia 08 de julho -, informou à autoridade competente que despacharia nos minutos subseqüentes, sem, em momento algum, dar alguma ordem por telefone”.

O pedido de suspeição ainda vai ser analisado pela desembargadora Claudia Cristofani, que relata a ação na 4ª Seção do TRF-4.


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