Justiça

Lava Jato

Dodge: Pedido de prisão de Pezão foi feito ‘em razão de crime estar em curso’

Governador do RJ e outras 8 pessoas foram presos em Operação decorrente dos desdobramentos da Lava Jato

Pezão
Governador do Rio de Janeiro (RJ), Luiz Fernando Pezão. (Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, explicou nesta quinta-feira (29/11) que o pedido de prisão preventiva para o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), foi feito “em razão de a organização estar atuando e o crime estar em curso”. O governador e outras oito pessoas foram presos em mais uma operação decorrente dos desdobramentos da Lava Jato.

Segundo Dodge, o ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acolheu todos os pedidos feitos pela Procuradoria-geral da República – que consistiam não só em prisão, mas também em medidas de busca e apreensão e sequestro de bens para que haja o ressarcimento do dano. “O foco do MPF tem sido não só de punição dos infratores, mas também de reparação do dano”, afirmou a PGR. Pezão é suspeito pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

“Queremos comunicar a gravidade desses crimes. A corrupção desvia recursos públicos, que formam o patrimônio coletivo e deve ser combatida com a ênfase necessária”, disse Dodge.

A pouco mais de um mês do final do mandato de Pezão como governador do Rio de Janeiro, o pedido de prisão foi feito, segundo a procuradora-geral da República, “em razão da atualidade do esquema”. É que, segundo a chefe do MPF, os infratores ainda praticam os crimes. “Tivemos que requerer as prisões para a garantia da ordem pública. Era o modo necessário para deferir uma resposta à gravidade do crime”, disse.

Foram requeridos, ainda de acordo com a procuradora-geral, o sequestro de até R$ 39 milhões dos envolvidos – que terão os bens bloqueados até que se alcance esse montante para garantir posterior ressarcimento.

“E o Pezão?”

“Há cerca de dois anos, quando da prisão do senhor Sérgio Cabral na Operação Calicute, vocês [da imprensa] nos fizeram uma pergunta: ‘E o Pezão?’. Nós não esquecemos a pergunta de vocês e estamos aqui hoje para responder a essa pergunta”, afirmou o procurador regional da República no Rio de Janeiro Leonardo Cardoso de Freitas, que também participou da coletiva.

Freitas disse que foram pagos R$ 39 milhões em espécie a Pezão e aos outros envolvidos decorrentes de sobretaxas em contratos de áreas específicas, como a de transporte público. Ainda segundo o procurador, parcela “expressiva” desse valor foi paga pela Fetranspor, federação que representa empresas de ônibus no estado. “A Fetranspor pagava as autoridades para conseguir as benesses no giro dos seus negócios”, disse.

Além de Pezão, tiveram prisão decretada José Iran Peixoto Júnior, secretário de Obras; Affonso Henriques Monnerat, secretário de Governo; Luiz Carlos Vidal Barroso, servidor da secretaria da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico; Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador; Cláudio Fernandes Vidal, sócio da J.R.O Pavimentação; Luiz Alberto Gomes Gonçalves, sócio da J.R.O Pavimentação; Luis Fernando Craveiro de Amorim, sócio da High Control e César Augusto Craveiro de Amorim, também sócio da High Control.


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