Justiça

Combate à corrupção

Deltan Dallagnol deixa a coordenação da Lava Jato em Curitiba

Atual permissão da Lava Jato de Curitiba expira em 10 de setembro. Augusto Aras decidirá sobre renovação

Foto: Pedro de Oliveira/Assembléia Legislativa do Paraná (ALEP)

O procurador da República Deltan Dallagnol vai deixar a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Ele é o coordenador do grupo do Paraná e deve anunciar a saída formalmente ainda nesta terça-feira (1°/9). Problemas de saúde da filha teriam motivado Deltan a se afastar da chefia do grupo. Ele deve pedir a permuta de ofício com um colega de Curitiba.

Deltan Dallagnol está à frente da Lava Jato há seis anos, desde o início dos trabalhos. No início da tarde, ele publicou um vídeo no canal que mantém no YouTube explicando a saída

“Estou saindo e quero contar a razão. Há poucas semanas, eu e minha esposa identificamos alguns sinais que nos preocuparam em nossa bebezinha. Identificamos uma série de sinais de regressão no desenvolvimento. Parou de falar algumas palavras que já falava, deixou de olhar para a gente quando é chamada. Os médicos já levantaram algumas suspeitas e ela ainda vai passar por uma série de exames e acompanhamentos para um diagnóstico que ainda vai demorar nove semanas”, disse.

Com a saída anunciada, o procurador da República no Paraná Alessandro José Fernandes de Oliveira deve assumir as funções antes exercidas por Deltan Dallganol, passando a titularizar, por meio de permuta, o ofício a que distribuídas investigações da Lava Jato no Paraná.

Alessandro, com reconhecida experiência no combate ao crime organizado, é membro com maior antiguidade na Procuradoria da República do Paraná a manifestar interesse e disponibilidade para coordenar os trabalhos. Com a troca, Deltan, que solicitou um período de 15 dias para auxiliar na transição, deve assumir o ofício de Alessandro.

Atual permissão

A atual permissão da Lava Jato de Curitiba expira em 10 de setembro e o procurador-geral da República, Augusto Aras, é quem decide pela renovação. As forças-tarefas têm tido embates com a chefia do órgão e há preocupação entre procuradores quanto ao futuro delas.

Em junho deste ano, a designação da força-tarefa Greenfield foi renovada por seis meses, e não os 12 meses usuais, mantendo-se a dedicação exclusiva apenas do então coordenador. De forma análoga, a dedicação exclusiva de alguns integrantes da força-tarefa Lava Jato de São Paulo não foi, em um caso, renovada, e em outros dois foi renovada por três meses.

CNMP

Há, no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), dezenas de processos contra a atuação de Deltan Dallagnol. Na última terça-feira (25/8), o colegiado determinou o arquivamento de pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para punir procuradores da Lava Jato do Paraná pela apresentação de Power Point feita em 2016, na qual o petista foi apontado como chefe de uma organização criminosa.


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