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STF

Delação da Odebrecht espalha Lava Jato por 21 Estados

Casos envolvem menções aos ex-presidentes Lula, Dilma, FHC, tribunais de contas, ex-ministros

Odebrecht consegue afastar R$ 2 bi no Carf em processo da Lava Jato
Crédito: Agência Brasil

Considerada a mais bombástica das cerca de 160 delações fechadas no esquema de corrupção da Petrobras, a colaboração da Odebrecht deve espalhar as investigações da Operação Lava Jato e seus desdobramentos para 21 Estados.

Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Edison Fachin, autorizou nesta terça-feira (11/4) o envio para instâncias inferiores de citações feitas pelos delatores a pessoas sem foro no tribunal, como governadores, integrantes de tribunais de contas, ex-presidentes, ex-ministros, ex-deputados, ex-prefeitos, entre outros políticos.

Os casos foram distribuídos para a Justiça Federal do AM, BA, CE, DF, ES GO, MA, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RS, SC, SP, TO. Há menções feitas pelos delatores que irão para os TRFs da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Região. São mais de 150 pessoas citadas. A maior parte dos casos estão concentrados em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em seis frentes de investigação. Não há detalhes. Em duas aparecem os inscritos: MP 703 e Angola. A MP 703 é referência as tratativas entre o Grupo Odebrecht, Lula e o então ministro Jacques Wagner para a edição de legislação que possibilitasse a celebração de acordo de leniência entre o Poder Executivo e pessoas jurídicas envolvidas em infrações sem contar com a intervenção do Ministério Público.

Em outro, Lula aparece ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff e os ex-ministros Guido Mantega, Antonio Palocci e Jaques Wagner. O filho de Lula, Luis Claudio, também figura na lista.

O nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também aparece na lista, mas não há detalhes da menção.

Em relação aos governadores, 12 são alvos da PGR por citações da Odebrecht – sendo que nove vão ser investigados no Superior Tribunal de Justiça, foro para os chefes dos Executivos locais: Paulo Hartung (Espírito Santo), Geraldo Alckmin (São Paulo), Fernando Pimentel (Minas Gerais), Flávio Dino (Maranhão), Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro), Raimundo Colombo (Santa Catarina), Marcelo Miranda (Tocantins), Beto Richa (Paraná) e Marconi Perillo (Goiás).

O STF vai investigar ainda os governadores Renan Filho (Alagoas), Tião Viana (Acre), e Robinson Faria (Rio Grande do Norte). Os casos deles têm conexões com parentes que têm foro privilegiado no STF. Renan Filho será investigado com seu pai, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Tião é alvo de inquérito com seu irmão, senador Jorge Viana (PT-AC). Robinson está no inquérito de seu filho, o deputado Fábio Faria (PSD-RN).

Há ainda implicações feitas ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

A investigação também vai abranger irregularidades em obras, licitações e acordos de mercado. Estão na lista, por exemplo, irregularidades nas obras da Refinaria Getúlio Vargas, a construção da sede administrativa da Petrobras em Vitória, a licitação referente à reforma da Arena Castelão e a aquisição da Quattor Petroquímica pela Braskem S/A.


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