Do Supremo

Edson Fachin

Defesa de Temer desiste de suspender inquérito

Após perícia particular, advogados avaliam que problemas em gravação pode barrar apuração

Foto: Marcos Corrêa/PR

Depois de contratar uma perícia particular que apontou 70 pontos de obscuridade em gravação do empresário Joesley Batista, a defesa do presidente Michel Temer desistiu nesta segunda-feira (22/5) de tentar suspender no plenário do Supremo Tribunal Federal o inquérito que investiga o peemedebista.

A previsão inicial era de que o caso fosse levado ao plenário na quarta-feira, mas antes de os advogados apontarem ao Supremo que o pedido estava prejudicado, uma decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, já havia inviabilizado a demanda. Isso porque Fachin disse que só submeteria a questão aos colegas quando a perícia da Polícia Federal for concluída.

O equipamento utilizado por Joesley, um pen drive, está nos Estados Unidos e deve chegar ao Brasil nesta terça-feira. Segundo peritos da PF, uma análise desse tipo pode levar até 30 dias. Fachin, no entanto, pediu que o caso seja analisado o mais breve possível. Após a entrega do laudo, PGR e defesas terão prazo de 24 horas para se manifestarem.

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A defesa do presidente trata a perícia como uma questão preliminar para o caso e o avanço das investigações contra o peemedebista por de obstrução à Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. A ideia é mostrar que como o áudio foi editado, com prova alterada, o inquérito não deve prosseguir.
A PGR, no entanto, sustenta que o áudio não é a única prova que permite a investigação de Temer. O advogado Gustavo Guedes e o Gustavo Rocha, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, estiveram numa conversa de 15 minutos com Fachin para tratar do caso. Para a defesa, o áudio é imprestável.
“Nós contratamos uma perícia particular no final de semana. O Dr. (Antônio Cláudio) Mariz [dono do escritório de advocacia que defende Temer] contratou uma perícia em São Paulo. Nós nos sentimos atendidos com o pedido da perícia atendido e, portanto, vemos a desnecessidade de suspender (o inquérito). O presidente a partir do resultado dessa nossa perícia o presidente quer que essa situação seja esclarecida o mais rapidamente possível. (…) O presidente quer dar essa resposta ao país o mais rapidamente possível”, disse Guedes.
Gustavo Guedes afirmou que a única prova do inquérito contra Temer é o áudio e que, na avaliação da defesa, o material é “imprestável”.
“A defesa do presidente contratou uma perícia e a perícia no final de semana verificou que não havia 50, nem 14 pontos de edição, e sim 70 pontos de obscuridade no material. Nós fizemos agora um pedido dizendo o seguinte: já que nós temos agora o resultado de um trabalho que a gente confia, nós queremos que esse inquérito se ultime o mais rapidamente possível. (…) O importante é que em relação ao presidente a prova que há é o áudio, não há nada mais. ”
O áudio, gravado por Joesley durante conversa com Temer no Palácio do Jaburu, em março, serviu de base para que Temer passasse à condição de investigado por suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.


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