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CPI do Carf quebra sigilo de advogado e lobista investigados na Zelotes

Comissão adia decisão sobre filho de Lula e sobrinho de Nardes

Atualizada às 15h34 para acréscimo de informações

A CPI do Carf determinou nesta quinta-feira (29/10) a quebra de sigilo do lobista Alexandre Paes, da Sociedade de Advogados JR Silva e de José Ricardo da Silva, sócio do escritório. Ambos foram presos pela Polícia Federal, na Operação Zelotes, na semana passada. “Esse é o núcleo nervoso e criminoso que habitava no CARF”, afirmou o presidente da comissão, Ataídes Oliveira (PSDB-TO).

Por outro lado, os senadores adiaram para depois do feriado de Finados (02/11) uma decisão sobre quebra de sigilo do filho do ex-presidente Lula, Luis Claudio Lula da Silva, e do sobrinho e ex-sócio de Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União, Claudio Ribeiro.

“A própria Receita pede a quebra de sigilo do filho de Lula, acho que já esteja mais do que justificada a vinda dele à CPI, para que ele explique a relação com um lobista de São Paulo, e também com lobistas do Distrito Federal”, afirmou Oliveira.
Luís Cláudio Lula da Silva é acusado de receber R$ 2,4 milhões de pessoas investigadas na operação pela suposta compra de Medidas Provisórias dos governos de Lula e Dilma. As MP’s beneficiam montadoras de veículos.
O presidente da CPI adiou a votação dos requerimentos após fazer defesa pela aprovação dos pedidos. Segundo ele, havia muitos requerimentos a serem analisados, além do fato de a CPI se reunir duas vezes na próxima semana, na quarta e quinta-feira (04 e 05/11).

Também ficou para a próxima semana uma decisão da CPI sobre a convocação dos ex-ministros palacianos Gilberto Carvalho e Erenice Guerra. Todos os citados são investigados por uma força tarefa da operação Zelotes, formada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal e Corregedoria Interna do Ministério da Fazenda.

A CPI também aprovou requerimentos para ouvir Eduardo Gonçalves Valadão, sócio de José Ricardo da Silva, e Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador do grupo CAOA.

No início da sessão, a relatora da CPI, senadora Vanessa Grazziotin, defendeu que a Justiça derrube o sigilo de todas as fases da Zelotes. A CPI ficou a reboque do noticiário, com a realização de uma nova fase da operação e a realização de buscas no escritório do filho do ex-presidente Lula.

Os senadores aprovaram requerimento para terem acesso aos autos da operação, enviados pelo MPF ao Supremo Tribunal Federal. Também aprovaram pedido para que a corregedoria geral do Ministério da Fazenda encaminhe cópia do processo administrativo disciplinar que apura a responsabilidade funcional de conselheiros e ex-conselheiros do CARF. E já tem em mãos informações da quarta etapa da Zelotes, que atinge nomes ligados ao governo.

Reclamação

O requerimento que pedia a quebra de sigilo de Carlos Juliano Ribeiro Nardes, sobrinho e ex-sócio do ministro do Tribunal de Contas da União Augusto Nardes, foi retirado de pauta. O autor do pedido Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) não estava presente no início da sessão. Ele reclamou do adiamento, mas não convenceu os colegas.

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Randolfe conduziu, praticamente sozinho, os questionamentos ao ex-conselheiro do Carf João Batista Gruginski, sócio da consultoria SGR, e, de acordo com a força-tarefa da Zelotes, lobista com atuação na Receita Federal. É acusado, por exemplo, de livrar o Partido Progressista de cobranças tributárias.

Senadores de oposição insistiram nas perguntas, mas Gruginski se recusou a falar.

“Você esteve reunido com pessoas que estão atoladas até o pescoço na venda de decisões do Carf”, afirmou o senador Ataídes. “Está perdendo uma chance de ouro”, afirmou o presidente da comissão, se referindo à decisão de Gruginski de ficar calado. “Chegará um determinado momento que o senhor e sua defesa entenderam que a colaboração é o melhor a ser feito até para sua própria defesa”, complementou o senador Randolfe Rodrigues.
Gruginski não quis responder se conhecia Luis Claudio, filho do ex-presidente Lula. Também não se manifestou sobre a troca de e-mails comprometedores interceptados pela Polícia Federal.
O CEO da Huawei do Brasil, Jason Zhao, que seria ouvido nesta quinta-feira, alegou que já tinha viagem marcada para China e cancelou a ida à comissão. A defesa dele informou que o empresário só voltará ao Brasil no mês que vem. O depoimento foi remarcado para o início de dezembro.

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