Justiça

Comissão de Orçamento adia votação das contas de Dilma Rousseff

Desdobramentos da Lava Jato freiam ânimo de governistas

Câmara dos Deputados Foto Luiz Alves Data 07-08-09

A presidente da Comissão Mista de Orçamento, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), desistiu de colocar em votação o parecer do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) sobre as contas presidenciais de 2014. O parecer, pela aprovação com ressalvas das contas do último ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff, enfrenta agora obstrução da base aliada em especial do PT.

Na semana passada, os aliados do Planalto confiantes de que havia número para aprovar o parecer Gurgacz pressionaram por uma votação relâmpago na CMO. A oposição conseguiu barrar a ofensiva e ao longo da semana, em nome de retirar de pauta o polêmico projeto de decreto legislativo que altera o cálculo dos juros sobre os descontos no passivo da dívida dos entes federados com a União, o Governo aceitou deixar a questão para essa semana.
O problema é que o ambiente político no Congresso mudou bastante desde quinta-feira quando o adiamento foi negociado. As manifestações de domingo; a homologação da delação premiada de Delcídio do Amaral (sem partido-MS); e a publicação de áudios do ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT), oferecendo ajuda financeira e jurídica para salvar o ex-colega de bancada da cassação e da cadeia conturbaram o clima.
Sem certeza sobre o verdadeiro impacto do resultado da votação na CMO, os petistas iniciaram uma obstrução ao parecer Gurgacz por meio de pedidos para leitura e arovação de atas de reuniões anteriores da CMO. Essa estratégia de solicitar leitura e aprovação de atas é uma manobra regimental antiga no Congresso que serve apenas como medida protelatória para impedir o início de votações de real interesse.
Rose de Freitas admite que não entende qual é a estratégia da base aliada, e que não quer entender.
“Temos 20 itens para votar na comissão antes das contas da presidente. Tem gente da base que não quer votar. Tem gente da oposição dizendo que é preciso mais tempo para discutir. Então não vamos colocar em votação”, disse ao fim da reunião hoje à tarde.
Ha reuniões da CMO marcadas para quarta e quinta-feira.

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