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Clima de traição ronda próximas listas tríplices no STJ

Bastidores do tribunal na escolha dos sucessores de Gilson Dipp e Sidnei Beneti

Crédito STJ Divulgação

A escolha dos candidatos às vagas dos ministros Sidnei Beneti e Gilson Dipp será feita nos próximos meses em clima de traição entre ministros do Superior Tribunal de Justiça e com um acordo firmado entre o atual e o ex-presidente da Corte, até então conhecidos desafetos, no retrovisor.

Um improvável acerto entre os ministros Francisco Falcão e Felix Fischer teria influenciado na indicação dos nomes para a vaga do ministro Ari Pargendler, no final de maio. De acordo com fontes ouvidas pelo JOTA, uma combinação costurada de última hora teria alterado o resultado final da lista tríplice composta pelos desembargadores federais Joel Ilan Paciornik, Marcelo Navarro Ribeiro Dantas e Fernando Quadros da Silva. Cabe agora à presidente Dilma Rousseff indicar um nome para sabatina no Senado.

Segundo fontes ligadas ao tribunal, Falcão trabalhou internamente no STJ e tem mantido conversas no Congresso para a indicação de Navarro. Fischer tem Paciornik como candidato. Fernando Quadros teria ficado como opção. Os três foram escolhidos em primeiro escrutínio. Paciornik teve 21 votos. Navarro conseguiu 20, e Fernando Quadros, 18 votos.

“O Navarro não entraria”, afirma um ministro, sobre eventual eleição sem acordo entre o ex-presidente do STJ e seu sucessor. Ressalta, contudo, que os três candidatos são tecnicamente preparados para assumir o cargo. “O Navarro é um grande juiz, mas emprestou o cérebro para o Falcão”, diz a fonte.

Diante do histórico da relação entre Fischer e Falcão, o acordo causou perplexidade por parte de alguns ministros. “Um dia um chama o outro dos piores nomes e no outro se abraçam para compor lista? É o cruzamento de jacaré com cobra grande”, diz uma fonte.

Alguns ministros ouvidos pelo JOTA negam que tal acordo tenha ocorrido. Ao final da sessão do fim de maio, porém, era possível perceber a irritação de alguns magistrados.

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Promessas desfeitas

O incômodo teria surgido a partir da suposta promessa de Fisher votar na desembargadora do TRF1, Maria do Carmo Cardoso, candidata dos ministros João Otávio de Noronha, Humberto Martins e Luis Felipe Salomão.

“Ele [Fischer] virou as costas para os ministros Noronha e Humberto Martins, que o apoiaram muito durante sua gestão como presidente”, diz uma fonte.

Contudo, há quem rejeite a tese de que, sem o acordo, a desembargadora Maria do Carmo tivesse entrado na lista. “Ela não nenhuma tem chance”, diz uma fonte do tribunal. Segundo apurou o JOTA, os ministros Herman Benjamin e Isabel Gallotti fariam forte campanha contra a entrada da desembargadora na Corte.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do STJ informou que a escolha da lista tríplice “foi feita como costumeiramente nesta Corte, com os votos independentes e isentos dos ministros”.


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