Justiça

Lava Jato

A cartada decisiva da Lava Jato – “Follow the money”

O que indica a dança das cadeiras de policiais na força-tarefa

PF realizou busca e apreensão na casa do coronel. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

No mesmo dia em que ganhou as ruas a 31ª fase da Lava Jato, a opinião pública recebeu outra informação: a Polícia Federal substituiu dois delegados da equipe que há 27 meses conduzem as investigações da mais longeva operação já deflagrada no país.

O que significa essa mudança para a investigação? Novos atores trazem consigo uma expertise importante para uma cartada decisiva da Lava Jato: seguir o rastro do dinheiro que deixou os cofres de grandes empresas para irrigar o mundo político. Follow the money.

A substituição, na atual fase, vai além das explicações oficiais da Polícia Federal ou até mesmo das críticas que alguns integrantes da instituição planejam para os próximos dias.

Os delegados Eduardo Mauat da Silva (lotado no RS) e Duílio Mocelin Cardoso (lotado em RO) dão lugar a Rodrigo Sanfurgo, ex-chefe da Delegacia de Combate a Corrupção e Crimes Financeiros de São Paulo; Luciano Menin, que integrou a força-tarefa da Lava Jato em passado recente, e Roberto Biazolli, autoridade com experiência em investigações internacionais, por ter trabalhado no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça (DRCI).

O Departamento, ligado ao Ministério da Justiça e Cidadania, é a unidade no Poder Executivo que coordena processos de recuperação de ativos enviados ao exterior por intermédio de Cooperação Jurídica Internacional.

Não à toa, um dos projetos do ministro Alexandre de Moraes é ampliar os Laboratórios de Tecnologia (Rede-LAB) e implementar a estratégia de cooperação em todas as unidades da federação.

Desde o final de janeiro, quando foi deflagrada a Operação Triplo-X, policiais e procuradores deram início a uma das frentes mais peculiares da investigação: o caminho do dinheiro em paraísos fiscais.

Os policiais que entram no time não desconhecem as investigações por um simples motivo: são especialistas em cooperação internacional, principalmente no que diz respeito a crimes financeiros e diferentes legislações dos países que atualmente estão no escopo da Lava Jato.

No final de maio o Ministério Público contabilizava 108 pedidos de cooperação internacional na operação Lava Jato. De acordo com o MPF, foram recuperados R$ 545,9 milhões que estavam em contas no exterior, por meio de acordos de colaboração premiada.

Deste total, R$ 79 milhões retornaram ao Brasil graças a colaborações firmadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e R$ 466 milhões a partir de acordos firmados junto à força-tarefa Lava Jato em Curitiba e ao MPF no Rio de Janeiro.

Desde o início do ano, o juiz federal Sérgio Moro tem dito a interlocutores mais próximos que a Lava Jato deve chegará a um fim ainda este ano ou no início de 2017. Mesmo que esta expectativa do juiz federal esteja certa, a Lava Jato indica uma duração mais longa.

Há várias investigações em curso que partiram de material de busca e apreensão, e ao menos três, até o momento, deflagradas.

A mais recente delas é a Custo Brasil, que teve como base as buscas e apreensões das fases Pixuleco I e Pixuleco II. A outra foi a operação Crátons, desmembramento da Lava Jato para combater a extração e comercialização ilegal de diamantes em terras dos índios cinta-larga, em Rondônia. E também O Recebedor, baseada em dados obtidos no acordo de leniência e colaboração premiada da empreiteira Camargo Corrêa sobre licitações da estatal de ferrovias, Valec.

Para quem faz a avaliação que a Lava Jato sofre de interferência política é porque ainda não sabe o que guardam as próximas fases a serem deflagradas.

A conferir os resultados do Follow the money (tradução para “Siga o dinheiro”), dica dada pela fonte conhecida como “garganta profunda”, do repórter Bob Woodward sobre o escândalo de Watergate, que resultou na primeira e única renúncia de um presidente norte-americano, Richard Nixon. À época, ele e o colega repórter Carl Bernstein revelaram no Washington Post as tentativas de Nixon espionar os adversários democratas.

Garganta profunda era justamente um agente especial da Polícia Federal norte-americana, o FBI, Mark Felt.


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