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“É inadmissível, inaceitável e insuportável”, diz Cármen Lúcia sobre estupro coletivo

Para a ministra, a vítima do crime é cada ser humano capaz de ver o outro e no outro a sua própria identidade

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, divulgou nota em que afirma ser “inadmissível, inaceitável e insuportável ter de conviver sequer com a ideia de violência contra a mulher”.

O texto, divulgado nas redes sociais por assessores, é a reação da próxima presidente do STF, a segunda mulher a conduzir o tribunal, ao estupro coletivo de uma menina de 16 anos no Rio de Janeiro.

“Não pergunto o nome da vítima: é cada uma e todas nós mulheres e até mesmo os homens civilizados, que se põem contra a barbárie deste crime, escancarado feito cancro de perversidade e horror a todo o mundo”, afirmou a ministra no início da nota.

Leia abaixo a íntegra do texto escrito pela ministra Cármen Lúcia:

Não pergunto o nome da vítima: é cada uma e todas nós mulheres e até mesmo os homens civilizados, que se põem contra a barbárie deste crime, escancarado feito cancro de perversidade e horror a todo o mundo.

O gravíssimo delito praticado contra essa menor – mulher e, nessa condição, sujeita a todos os tipos de violência em nossa sociedade – repugna qualquer ideia de civilização ou mesmo de humanidade.

É inadmissível, inaceitável e insuportável ter de conviver sequer com a ideia de violência contra a mulher em nível tão assustadoramente hediondo e degradante. Não é a vítima que é apenas violentada. É cada ser humano capaz de ver o outro e no outro a sua própria identidade. 

A luta contra tal crueldade é intensa, permanente, cabendo a cada um de nós – mais ainda juízes – atuar para dar cobro e resposta à sociedade contra tal chaga da sociedade. 

O que ocorreu não é apenas uma injustiça a se corrigir; é uma violência a se responsabilizar e a se prevenir para que outras não aconteçam. 

Repito: a nós mulheres não cabe perguntar quem é a vítima: é cada uma e todas nós. Nosso corpo como flagelo, nossa alma como lixo. É o que pensam e praticam os criminosos que haverão de ser devida e rapidamente responsabilizados.

Ministra Cármen Lúcia – STF


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